estória §48


Eu também tenho medo, mas não digo nada. Gosto de sorrir para a vida e pensar que tudo vai correr bem, mesmo quando os dias me trocam as voltas e chego à noite estoirado a casa, sem encontrar sentido às coisas.
*Margarida Rebelo Pinto

Também tenho medo por vezes. É normal termos medo. Significa que temos algo a perder que não queremos. E, nesse sentido, faz bem ter medo. Tenho tido alguns medos, ultimamente. Muitos para o meu gosto. E não sei o que fazer para que eles passem. Tenho medo do que vem a seguir. Tenho medo de fazer as escolhas erradas e não poder voltar atrás. Tenho medo de não saber o que fazer. Tenho medo de não conseguir seguir em frente. Tenho medo de não me sentir realizada daqui a uns tempos. Tenho medo de não ter.. Em algumas situações, gostava de ser pequena. De ter alguém que olhasse por mim. Alguém que corrija os meus erros. As minhas más escolhas. Tenho medo de ser suficientemente capaz de as tomar. E só queria que as tomassem por mim. Começo-me a sentir perdida. Incapaz. Sozinha. Mas também não sei o que fazer para melhorar isto. Amanhã terei que tomar decisões como os adultos fazem. Terei de amanha ser adulta. E não quero porque tenho medo. Preciso de ouvir que vou ser capaz. De ter alguém ao lado que confia em mim. No que sou capaz de fazer. Pois por vezes eu própria não sei de que sou capaz. Não acredito em mim. E preciso que alguém o faça. Preciso de alguém aqui ao meu lado. "Preciso-te". Gostava de te ter ao meu lado. A única coisa que me parece agora possível fazer é mesmo sorrir para a vida e pensar que tudo vai correr bem. Porque às vezes acontecem coisas sem explicação. Momentos que nos deixam felizes. E que nos permitem dar mais um passo em frente no nosso caminho. E deixar-nos com um sorriso bem grande na cara. E isso pode ter passado. Mas pode vir de novo. Tenho que pensar nisso. É como algo que me ajuda a ir em frente. Enfrentar os medos. E ultrapassá-los.
Porque tenho medo. Mas tenho que sorrir para a vida. Pensar que tudo vai correr bem. Que nada acontece por acaso. E que pode voltar a acontecer.

estória §47


No fundo a vida é uma questão de escolhas. Estamos aqui porque escolhemos, porque decidimos estar aqui. Ninguém nos diga que é impossível ou que devia ter sido feito de outra forma. Fizemos opções que entendemos, tendo em conta aquilo em que acreditávamos. E é assim que vivemos todos. Em busca de algo que não sabemos explicar e a que podemos chamar felicidade, amor, perfeição ou outra coisa qualquer.
*Ricardo Antunes

Caminhamos sempre para algo. Em relação a algo mesmo que não saibamos o que é de verdade. O que é concretamente. Todos buscamos algo nesta vida. A vida é para isso. Para se chegar a alguma coisa. Apenas não sabemos o que é. Podemos ter uma ideia. Mas por vezes, nem tudo o que pensamos que é, o é na verdade. As coisas disfarçam-se. Se assim o posso dizer. Pensamos que é aquilo que temos que alcançar. E depois vai-se a ver... Chega-se a isso... E puff... Afinal não era aquilo. Não tinha nada a ver. Por isso, tentamos alcançar algo que não sabemos explicar. Tentamos alcançar isso pelas nossas escolhas. Pelo que pensamos escolher de melhor para nós e para os que estão à nossa volta. Escolhemos a todo o momento. E podemos não nos aperceber disso. Mas fazemos escolhas a todo o instante. Ir por aquela rua e não por outra. Passar naquele sítio e não noutro. Ir de metro em vez de autocarro. Faltar à aula em vez de ir para lá fingir que se está atento. Estar aqui a escrever em vez de ir sair ou ver televisão. Todas estas pequenas e inconscientes escolhas influenciam a nossa vida e o que nos acontece. Nada acontece por acaso. Porque somos nós que de um certo modo provocamos essas coisas para que aconteçam. Vamos construindo a nossa vida. Pequenos passos todos os dias. A todo o momento. Com o objectivo de alcançar algo.
Felicidade? Amor? Perfeição? Sim, pode ser isso. Não sei. Sei que ainda não alcancei tal coisa. Ainda não a tenho.

estória §46


Queres? Vai à luta! Desejas? Concretiza! Sonhas? Torna realidade pelas tuas mãos, tu própria.
*
2010 chegou! Já entrou nas nossas vidas. É o primeiro dia do ano. Ainda por 12 minutos. Ainda estamos no primeiro dia do ano. Começaste bem o ano? Estiveste com quem mais gostas? Já falaste com aqueles que te são mais queridos? Espero que sim. Que todos vocês tenham entrado com o pé direito, meus amores. Espero que tenham pedido os vossos desejos às doze badaladas. Quando foi assinalada a entrada neste novo ano. Espero que tenham aproveitado bem o 2009. Que tenham tirado partido de muita coisa. Que tenham aprendido com o que a vida vos trouxe. Que tenham sido felizes. Que tenham tido bons momentos. E maus também. Porque é com estes que mais se aprende, essencialmente. Que tirei deles o que de positivo houve. E os erros, o que pensam que foram erros, que esses possam servir para 2010. Que tenham muitas recordações, afinal. É bom ter recordações. Ter certos momentos dentro de nós. Sem sabermos que os temos. Mas ter e lembrá-los quando menos esperamos. Quando precisamos dele de novo. Para renovar a alma. Para trazer a alegria de volta. Para pôr um sorriso na tua cara. Espero também que os tais desejos que pediste se concretizem. Vocês merecem todos. Mas também não fiquem a pensar que basta pedir e esperar. Tens de ir à luta. Arregaçar as mangas. Não podes ficar à espera que as flores cresçam se antes não plantares as sementes na terra. Tens que ser tu próprio a ires para teres o que queres. E vai saber melhor quando conseguires. Porque foi algo que veio de ti. Com o teu esforço. Por isso, mais que tudo, espero que 2010 te traga essas oportunidades. E mais. Que essas oportunidades sejam mesmo para ti. Que tu saibas que as vais conseguir.
Desejo tudo de bom para vocês. E peço-vos que acreditem. E que sejam felizes!

estória §45


Mais um ano que está prestes a chegar ao fim. Mais um ano chei de tantas coisas. Boas. Menos boas. Mas um ano que foi repleto de tanta coisa das quais fica sempre alguma lembrança. Aconteceu-te tanta coisa diferente, não foi? Algumas que te deixaram com um sorriso na cara. Outras com a lágrima ao canto do olho. Outras que te fizeram sentir inseguro, perdido e com medo. Passaste por algumas sozinho. Por outras na companhia daqueles que mais gostas e que te deixam feliz. Outras situações foram apenas breves momentos mas que significaram muito e dos quais não te vais esquecer. Passaste por elas e elas deixaram alguma marca em ti. Fazem agora parte de ti e tu já não és a mesma pessoa por teres passado por essas coisas. Vamos mudando ao longo do tempo. Pelos acontecimentos. Pelos momentos. Pelas pessoas. Pelo que elas deixam em nós. Pelo que elas nos fazem. Pelo que elas levam de nós. Por tudo. E é por tudo isso que também vivemos. Tudo isso faz parte do caminho que temos que percorrar. Se não acontecessem estas coisas não valia a pena viver. Mesmo pelas coisas menos boas. Aprendemos sempre alguma coisa. Ganhamos sempre de alguma maneira. Cresces com o que te acontece. E isso torna-te mais forte. Mais confiante. E no fim, mais feliz!
Sê feliz! Sê feliz com tudo o que a vida de traz. Não tenhas medo. Não fujas do que não tens a certeza. Do que é novo. Do que não conheces. Arrisca e vais ver que há sempre algo de bom. Aprende a confiar na vida. As coisas não acontecem por acaso, pelo menos eu acredito que não e quero acreditar que não! Acho que tudo tem uma razão de ser, mesmo que não a percebas de imediato. E dá valor a isso. Afinal, é a tua vida! Se não arriscares, podes ter a certeza que perdes, isso está garantido. Sendo assim, não deixes fugir nada daqui para a frente. Agarra tudo! E mais uma vez sê feliz! E deixa feliz também aqueles que mais gostas!

Beijos@
*Feliz Natal e Bom Ano Novo*

estória §44



Eu gostava de ter uma dada de coisas! É verdade! Eu gostava de ter irmãos. Dos meus pais terem uma casa deles. De ter um cão "normal". De ir de férias para onde eu quisesse. De viajar fora de Portugal. De ter um mini ou um carocha. De ter todas as roupas que eu vejo e que gosto. De chegar às lojas, escolhar e comprar. De ter quem me dissesse sempre sim. De ter quem concordasse sempre comigo. De ter alguém sempre a meu lado. De poder sair com destino incerto. Mas quem não tem as suas coisas? Mas quem não gostava de ter isto ou aquilo, ou isto e aquilo, ou tudo? Mas eu adoro ter amigos que são como irmãos. Adoro morar na casa onde moro e viver aqui. Adoro a minha menina medricas e maluca com um olho de cada cor. Adoro ir a Provezende, Erada, Altura. Adoro ir a casa dos meus amigos. Adoro passear por todo o lado. Adoro o meu JX. Adoro as roupas que tenho. E adoro também não poder ter todas as que queria. Adoro ter os que me percebem, ajudam, contraiam e apoiam. Adoro ter os meus amigos que podem não ser muitos mas eu sei que são de verdade. Adoro saber onde vou, com quem vou e quando volto para casa. Adoro tudo isto e gostava de ter aquilo. Mas também quem disse que não posso ter? Agora não tenho, é verdade. Mas posso vir a ter. Nunca se sabe o que vem amanha. Pode ser que um dia mais tarde eu tenha. Pode ser que algumas daquelas coisas eu encontre pelo caminho. E poder dizer que eu adoro isso.

estória §43


Entendi que existe uma grande diferença entre imaginar algo ou realizar algo. Na verdade, estes dois processos acontecem em planos muito distintos. Não há grande problema em imaginar e criar coisas na nossa mente, se não esquecermos que são os nossos actos que ditam quem nós somos. Se nos esquecermos de viver, a imaginação será uma prisam. Uma prisão dentro dos nossos próprios pensamentos. Tudo tem o seu tempo. Há um tempo para imaginar e um tempo para realizar.
*Ricardo Antunes

Foi bom ouvir (ler) esta frase. Não posso esquecer isto. Pois tenho noção que por vezes me perco nos meus pensamentos. Fico detida neles. Presa a eles. Neles. Acho que é um defeito meu. Um daqueles defeitos que vira feitio. E acaba por fazer parte da pessoa. Sonhar acordade é parte de mim. Apenas (só) tenho que por um limite a isso. A viver na e da imaginação. Sabe tão bem. Criar coisas na nossa mente. Ter uma espécie de vivência das coisas que só acontecem lá. Digo só. Porque algumas apenas ficam na nossa mente. Imaginamos coisas que são muito difíceis de realizar. Que se realizem. Todos nós temos alturas assim. Um tempo assim. Imaginar tudo e mais alguma coisa. O que no fundo queremos para nós. O que queremos experimentar. Viver. Mas que é díficil na vida real. Sabe tão bem. E pode fazer tão mal. Podemos correr o (grande) risco de ficarmos presos a isso. De não conseguirmos viver em condições devido a esse mundo imaginário. Dependentes tal como se fosse uma droga. E acabamos por nos focar tanto nisso que a vida passa ao lado. E nós? Nós não damos conta. Ou quando damos já é tarde. Já podiamos ter feito outras coisas. Já podiamos ter estado com outras pessoas. Além daquelas que fazem parte das nossas histórias. Não podes ficar apenas no teu mundo de sonhos. De pensamentos. Há tempo para tudo. Há um tempo para imaginar e um tempo para realizar. E acho que está na altura deste último. A imaginação disso já durou muito. De mais. Acredita. Às vezes tens que ter força para deitar mãos ao trabalho. À vida. Olha à tua volta. Vê o que tens. Vê quem tens. E não te esqueças de viver. Apanha o que puderes. Porque se só imaginares, acabas por viver na ilusão. Acabas por viver uma vida que não é a tua. Não vives. Sonha. Imagina. Mas em quantidade qb. Em quantidade moderada. É como o álcool. Se bem que às vezes há com cada bebedeira..
E não te esqueças de viver. (Não esqueço!)

estória §42


É muito tempo a desejar o tempo, de mudar ventos, levantar marés. É muita vida a desejar o alento que faz saber ao certo quem és. (..) A vida rasga bocadinhos gastos do mundo, vai descascando até chegar a nós. (..) Não é urgente correr, não é urgente chegar. O que é preciso é viver.
*Mafalda Veiga

Não importa aonde vais chegar. O que vais conseguir alcançar. Não importa comparado ao caminho que fazes. Pelo que passas. Por quem conheces e descobres. Não importa comparado a todos os momentos que já viveste e a todos os que vais viver. O que importa é mesmo o caminho percorrido. O que está à tua volta. O momento em que escolhes ir para a esquerda e não para a direita. Isso é que muda tudo na tua vida. Não propriamente a meta. Tal decisão pode alterar a tua meta. Isso sim. Não importa a qual meta vais tu chegar. Se é a que sempre pensaste. A que idealizaste. Importa tudo até lá. Importa o como corres nesta corrida. Se consegues ultrapassar os obstáculos que nela se encontram. Como os ultrapassas. E não quanto tempo demoras a ultrapassá-los. Não te sintas apressada. Tem calma. Corre devagar nesta corrida que é viver. Vai devagar sem pressa para chegar. Sem pressa para saberes quem és. Porque isso tu vais descobrindo ao caminhar. Vais descobrir quem és por todos os teus passos. Pelo que escolhes. Por quem escolhes ter ao teu lado. E é isto o importante desta corrida. A meta é simplesmente um local onde tens de chegar com a tua bagagem. Não é assim nada de especial. Não especules muito nisso. Sonha com a viagem até lá. Nisso vale a pena investir. É a tua bagagem. É o que realmente és de verdade. Não és apenas o que és quando chegas à meta. És isso e mais o que está para trás e o que tens dentro de ti. És a vida que viveste. Por isso, fá-lo sem pressas, sem urgência. Tenta viver apenas. Caminhar apenas. Sem pressa de chegar.
A meta é simplesmente um local onde tens que chegar com a tua bagagem.