estória §131

Ainda tanta coisa cá dentro. É um aperto tão grande. As coisas passam como um filme antigo. E revejo as cenas uma e outra vez. Imparável. Mesmo que doa. É imparável.

Ainda daria tudo para isso. Para [te] sentir de novo. 

estória §130


Eu queria ter de novo o que houve. Tenho saudades disso. Queria mais. Mas há um tempo para tudo. E o tempo desses bons momentos já lá vai. Agora é tempo de arrumações. Vou recolher tudo. Limpar o espaço. Às vezes é necessário. E esta é uma altura em que é mais que necessário. É fundamental. Há que guardar tudo o que não faz falta. [Apesar de ao mesmo tempo sentir falta.] Nestes casos não se deita fora. Não quero fazer isso. Há coisas que foram muito importantes para mim. [Foste importante. Sim.] Por isso, há que guardar. Uma vez que já não “me servem”. Quer dizer, não as posso ter no meu dia-a-dia. Por mais que ainda as queira. [Mesmo ainda te querendo.] Então, há que guardar. Transformá-las em recordações. Tão só e apenas isso. Recordações.

[Guardar-te numa das tantas gavetas da tal cómoda.]

estória §129


Perdi a corrida. Fiquei para trás. Nada de nada pode ser tomado como certo. De repente tudo muda. E dói. 

["dóis-me"... ]

estória §128


Por vezes tudo o que queremos é uma oportunidade. Uma segunda oportunidade. Para fazer diferente. Para ser melhor. Afinal, é para isso que elas existem. Agora, dentro da oportunidade, as coisas parecem diferentes. Tem que se recomeçar. Queria recomeçar do meio da corrida. Mas, entretanto perdeu-se a pedalada, o tempo passou por nós e não se pôde acompanhá-lo. Voltámos atrás. Tem que se recomeçar quase da partida. Não queria bem assim. Mas tem que ser. Recomeçar do início. Sem expectativas. Um passo de cada vez. E nesse passo, dar o melhor. E esperar. Esperar para ver o que se alcança.

(era [quase] o que eu queria, mas tenho medo*)

estória §127


É como um pedaço de plasticina. Se deixado ao ar muito tempo sem se moldar, acaba por secar. Quando voltamos a olhar para esse pedaço de plasticina, está feio, rijo e com fissuras. E pensamos em voltar a moldá-lo. Mas é então que nos deparamos com um grande problema. Assim que tocamos nesse pedaço e o envolvemos com as mãos, este começa-se a partir aos bocadinhos. Abrimos as mãos e qual é o nosso espanto quando reparamos que está tudo esfarelado. Olhamos um pouco desiludidos e pensamos que não vai haver muito mais a fazer para aquilo poder voltar ao original. O melhor é deitar fora. Por momentos pensamos isto. Mas há algo, que não sabemos bem o quê, que nos retém um pouco. Acabamos por pegar bocadinho a bocadinho e juntar. São bocadinhos tão pequeninos. Ninguém dá nada por eles. Mas ao juntar uns com os outros, a coisa vai tomando forma. Todos esses bocadinhos vão ficando mais macios, mais maleáveis e recomeçamos a ter esperança que aquilo afinal volte ao normal. É uma luz ao fundo do túnel. Mesmo que pequenina, ganhamos força para continuar a juntar todos os bocadinhos. Afinal, há algo que se pode fazer e nada está perdido. Aquele pedaço de plasticina deixado com o tempo vai voltar à sua consistência habitual. E ficamos felizes porque conseguimos isso de volta. Agora sabemos que temos que o continuar a moldar todos os dias. Se não este acaba por voltar a secar e aí, bem, teremos que recomeçar, mais uma vez.
Afinal, todos aqueles bocadinhos insignificantes, que pensávamos não dar em nada... Afinal, se tivermos paciência, coragem e vontade, conseguimos fazer com que se (re)transforme em algo.
É assim com a amizade. É assim com o amor. [Penso eu].

estória §126


Há dias em que tenho a força toda do mundo dentro de mim. [Sinto mesmo como se isso pudesse acontecer.] Hoje estou decidida a ir por um caminho que me agrada bastante. [Ou melhor, retomar.] Na verdade, é o que me deixa mais feliz. E hoje estou certa que quero isso a 100%. Que vou fazer de tudo para voltar a esse caminho. Que vou pegar nas pedras que encontrar e vou construir um castelo. É, não é? Eu sei que há pedras no caminho. Se não houvessem… Bem, se não houvessem, tinha-se continuado este mesmo caminho que se deixou para trás há uns tempos. Por isso, eu sei com o que conto. Sei que as pedras estão lá e que há coisas a resolver. Há que tentar. Se não tentarmos, nunca saberemos o que poderia acontecer a partir dali. 
Hoje, apenas, estou cheia de coragem para fazer isso. [Pena não estares aqui.]

estória §125


Por vezes há medo e inseguranças no meio do que mais desejamos. É normal. [penso]. É normal que se tenha medo de perder esse algo, ou simplesmente medo de se fazer alguma coisa errada no caminho. Porque sabemos que não somos perfeitos e que cometemos erros, alguns sem darmos conta. E isso pode ser a "morte do artista". E por sabermos isso, temos medo e insegurança. Porque não queremos que as coisas corram mal. E  também não queremos sentir-nos assim. Incapazes, que não somos bons o suficiente para algo. Porque, afinal, só queremos algo. Muito.