estória §45


Mais um ano que está prestes a chegar ao fim. Mais um ano chei de tantas coisas. Boas. Menos boas. Mas um ano que foi repleto de tanta coisa das quais fica sempre alguma lembrança. Aconteceu-te tanta coisa diferente, não foi? Algumas que te deixaram com um sorriso na cara. Outras com a lágrima ao canto do olho. Outras que te fizeram sentir inseguro, perdido e com medo. Passaste por algumas sozinho. Por outras na companhia daqueles que mais gostas e que te deixam feliz. Outras situações foram apenas breves momentos mas que significaram muito e dos quais não te vais esquecer. Passaste por elas e elas deixaram alguma marca em ti. Fazem agora parte de ti e tu já não és a mesma pessoa por teres passado por essas coisas. Vamos mudando ao longo do tempo. Pelos acontecimentos. Pelos momentos. Pelas pessoas. Pelo que elas deixam em nós. Pelo que elas nos fazem. Pelo que elas levam de nós. Por tudo. E é por tudo isso que também vivemos. Tudo isso faz parte do caminho que temos que percorrar. Se não acontecessem estas coisas não valia a pena viver. Mesmo pelas coisas menos boas. Aprendemos sempre alguma coisa. Ganhamos sempre de alguma maneira. Cresces com o que te acontece. E isso torna-te mais forte. Mais confiante. E no fim, mais feliz!
Sê feliz! Sê feliz com tudo o que a vida de traz. Não tenhas medo. Não fujas do que não tens a certeza. Do que é novo. Do que não conheces. Arrisca e vais ver que há sempre algo de bom. Aprende a confiar na vida. As coisas não acontecem por acaso, pelo menos eu acredito que não e quero acreditar que não! Acho que tudo tem uma razão de ser, mesmo que não a percebas de imediato. E dá valor a isso. Afinal, é a tua vida! Se não arriscares, podes ter a certeza que perdes, isso está garantido. Sendo assim, não deixes fugir nada daqui para a frente. Agarra tudo! E mais uma vez sê feliz! E deixa feliz também aqueles que mais gostas!

Beijos@
*Feliz Natal e Bom Ano Novo*

estória §44



Eu gostava de ter uma dada de coisas! É verdade! Eu gostava de ter irmãos. Dos meus pais terem uma casa deles. De ter um cão "normal". De ir de férias para onde eu quisesse. De viajar fora de Portugal. De ter um mini ou um carocha. De ter todas as roupas que eu vejo e que gosto. De chegar às lojas, escolhar e comprar. De ter quem me dissesse sempre sim. De ter quem concordasse sempre comigo. De ter alguém sempre a meu lado. De poder sair com destino incerto. Mas quem não tem as suas coisas? Mas quem não gostava de ter isto ou aquilo, ou isto e aquilo, ou tudo? Mas eu adoro ter amigos que são como irmãos. Adoro morar na casa onde moro e viver aqui. Adoro a minha menina medricas e maluca com um olho de cada cor. Adoro ir a Provezende, Erada, Altura. Adoro ir a casa dos meus amigos. Adoro passear por todo o lado. Adoro o meu JX. Adoro as roupas que tenho. E adoro também não poder ter todas as que queria. Adoro ter os que me percebem, ajudam, contraiam e apoiam. Adoro ter os meus amigos que podem não ser muitos mas eu sei que são de verdade. Adoro saber onde vou, com quem vou e quando volto para casa. Adoro tudo isto e gostava de ter aquilo. Mas também quem disse que não posso ter? Agora não tenho, é verdade. Mas posso vir a ter. Nunca se sabe o que vem amanha. Pode ser que um dia mais tarde eu tenha. Pode ser que algumas daquelas coisas eu encontre pelo caminho. E poder dizer que eu adoro isso.

estória §43


Entendi que existe uma grande diferença entre imaginar algo ou realizar algo. Na verdade, estes dois processos acontecem em planos muito distintos. Não há grande problema em imaginar e criar coisas na nossa mente, se não esquecermos que são os nossos actos que ditam quem nós somos. Se nos esquecermos de viver, a imaginação será uma prisam. Uma prisão dentro dos nossos próprios pensamentos. Tudo tem o seu tempo. Há um tempo para imaginar e um tempo para realizar.
*Ricardo Antunes

Foi bom ouvir (ler) esta frase. Não posso esquecer isto. Pois tenho noção que por vezes me perco nos meus pensamentos. Fico detida neles. Presa a eles. Neles. Acho que é um defeito meu. Um daqueles defeitos que vira feitio. E acaba por fazer parte da pessoa. Sonhar acordade é parte de mim. Apenas (só) tenho que por um limite a isso. A viver na e da imaginação. Sabe tão bem. Criar coisas na nossa mente. Ter uma espécie de vivência das coisas que só acontecem lá. Digo só. Porque algumas apenas ficam na nossa mente. Imaginamos coisas que são muito difíceis de realizar. Que se realizem. Todos nós temos alturas assim. Um tempo assim. Imaginar tudo e mais alguma coisa. O que no fundo queremos para nós. O que queremos experimentar. Viver. Mas que é díficil na vida real. Sabe tão bem. E pode fazer tão mal. Podemos correr o (grande) risco de ficarmos presos a isso. De não conseguirmos viver em condições devido a esse mundo imaginário. Dependentes tal como se fosse uma droga. E acabamos por nos focar tanto nisso que a vida passa ao lado. E nós? Nós não damos conta. Ou quando damos já é tarde. Já podiamos ter feito outras coisas. Já podiamos ter estado com outras pessoas. Além daquelas que fazem parte das nossas histórias. Não podes ficar apenas no teu mundo de sonhos. De pensamentos. Há tempo para tudo. Há um tempo para imaginar e um tempo para realizar. E acho que está na altura deste último. A imaginação disso já durou muito. De mais. Acredita. Às vezes tens que ter força para deitar mãos ao trabalho. À vida. Olha à tua volta. Vê o que tens. Vê quem tens. E não te esqueças de viver. Apanha o que puderes. Porque se só imaginares, acabas por viver na ilusão. Acabas por viver uma vida que não é a tua. Não vives. Sonha. Imagina. Mas em quantidade qb. Em quantidade moderada. É como o álcool. Se bem que às vezes há com cada bebedeira..
E não te esqueças de viver. (Não esqueço!)

estória §42


É muito tempo a desejar o tempo, de mudar ventos, levantar marés. É muita vida a desejar o alento que faz saber ao certo quem és. (..) A vida rasga bocadinhos gastos do mundo, vai descascando até chegar a nós. (..) Não é urgente correr, não é urgente chegar. O que é preciso é viver.
*Mafalda Veiga

Não importa aonde vais chegar. O que vais conseguir alcançar. Não importa comparado ao caminho que fazes. Pelo que passas. Por quem conheces e descobres. Não importa comparado a todos os momentos que já viveste e a todos os que vais viver. O que importa é mesmo o caminho percorrido. O que está à tua volta. O momento em que escolhes ir para a esquerda e não para a direita. Isso é que muda tudo na tua vida. Não propriamente a meta. Tal decisão pode alterar a tua meta. Isso sim. Não importa a qual meta vais tu chegar. Se é a que sempre pensaste. A que idealizaste. Importa tudo até lá. Importa o como corres nesta corrida. Se consegues ultrapassar os obstáculos que nela se encontram. Como os ultrapassas. E não quanto tempo demoras a ultrapassá-los. Não te sintas apressada. Tem calma. Corre devagar nesta corrida que é viver. Vai devagar sem pressa para chegar. Sem pressa para saberes quem és. Porque isso tu vais descobrindo ao caminhar. Vais descobrir quem és por todos os teus passos. Pelo que escolhes. Por quem escolhes ter ao teu lado. E é isto o importante desta corrida. A meta é simplesmente um local onde tens de chegar com a tua bagagem. Não é assim nada de especial. Não especules muito nisso. Sonha com a viagem até lá. Nisso vale a pena investir. É a tua bagagem. É o que realmente és de verdade. Não és apenas o que és quando chegas à meta. És isso e mais o que está para trás e o que tens dentro de ti. És a vida que viveste. Por isso, fá-lo sem pressas, sem urgência. Tenta viver apenas. Caminhar apenas. Sem pressa de chegar.
A meta é simplesmente um local onde tens que chegar com a tua bagagem.

estória §41


Às vezes estamos assim na vida. Temos vários momentos. Uns melhores, outros menos bons, outros mesmo maus. Mas também necessários. Uns mais atarefados, outros com mais tempo para nós e para os nossos botões. E temos que os viver a todos. Não podemos fugir de nenhum. Não podemos fazer batota. Não dá, simplesmente. Mesmo que pensemos que sim. Mas não conseguimos. E o melhor que podemos fazer é olhar para isso e ver o que tem de melhor. O que é bom lá. Tirar o melhor partido de algo. De alguém. Da situação. Do momento. Deixar que as coisas boas fiquem. E as menos boas que adormeçam. Se escondam. Até as esquecermos. As esquecermos quando formos capazes de pensar naquilo e isso ser algo normal. Que não nos afecte tanto. Porque há coisas que temos mesmo que esquecer. Para ganharmos espaço para coisas novas e para as antigas que realmente temos que guardar. Sim. Porque há coisas que são boas de guardar. Relembrar. Ficar feita parva com aquele sorriso na cara de quem está perdido nos seus pensamentos. Num mundo que só ele sabe. É bom ficar assim. É bom podermos ficar perdidos em nós mesmos. E também é bom poder partilhar isso com outros. Outros que são importantes para nós. Que muitos deles são essas mesmas recordações. Estão nesses momentos. E é bom reviver com eles isso tudo. Reviver e poder idealizar outros novos momentos. Acabar por fazer pequenos planos para o futuro. Com aqueles de quem gostamos e que são importantes. Mas sem nos darmos conta de tal. Poder imaginar e sonhar de olhos abertos. Sem ter medo de cair lá da nuvém aos trambolhões. Acreditar que pequenos sonhos se podem mesmo tornar realidade. É bom sentirmos isso. É bom acreditar piamente nisso. Termos sempre dentro de nós um bocadinho da criança que fomos. Sermos um bocadinho criança às vezes. Brincadeiras. Rambóia. Sermos felizes. Eternamente felizes nesses momentos. E podermos estar com um sorriso na cara tal e qual como uma criança. Inocente. Sem preocupações. Apenas com o pensamentos nos amigos e brincadeiras. São os melhores momentos da vida. Aqueles que não temos que esquecer. Aqueles que devem servir de molde para outros. Porque quando os deixarmos de ter, a vida perde um bocado de graça. Perde muito. E se ela perde, nós perdemos também. E não tem piada nenhuma perder assim. Perder isso.

estória §40


Com isto quero dizer que há momentos em que talvez valha a pena esperar antes de uma pessoa se atirar de mergulho. Até porque podem acontecer coisas piores do que a àgua estar fria; a piscina pode estar vazia. E espera é o tempo, é deixar crescer aquilo que há-de ser. É sempre pouco quando há muito para dar e receber.
*Margarida Rebelo Pinto

Às vezes o melhor é mesmo esperares. Quando não sabes bem o que fazer, não há nada melhor do que isso. Ouve-me. Espera. Não faças nada de cabeça quente. Porque pode não ser o melhor para ti. Podes pensar que é. Mas depois a piscina pode estar vazia. E aí é um grande trambolhão. A tua cabeça está a mil à hora. As ideias e pensamentos andam a chocar uns contra os outros. E acabas por não perceber nada do que tu própria queres. Ou pensas que queres. Assim é melhor deixar o tempo correr um bocado. Abre a janela. Não faças a cama. Deixa que tudo tome um pouco de ar. Senta-te no chão. Fecha os olhos. Respira fundo. E espera. As ideias hão-de ir ao sítio de alguma maneira. Espera e vê o tempo. Isso vai dar frutos. Vai crescer o que tem que crescer. Porque quando semeias algo também tens que dar um tempo para que possa brutar da terra e crescer saudavelmente. Com esses teus pensamentos também se passa isso. Semeaste-os a todos e agora tens que deixar crescer o que há-de ser.
Abre a janela. Deixa que tudo tome um pouco de ar. E dá tempo.

estória §39


Trazes o tempo desfeito no que procuras em ti. Se olhares no fundo do peito, saberás quem és mesmo até ao fim. Faz parte ser um pouco perdido, faz parte começar outra vez, faz parte ir atrás dos sentidos e voar a sentir o mundo na ponta dos pés. 
*Mafalda Veiga

Também isto faz parte da vida. Não tens sempre que ter a certeza de quem és. O que queres. Para onde vais. Porque vais ou porque gostas. Porque acontece. Não tens que saber tudo de ti. Às vezes acontece. Ficar-se assim. Desfazes-te por dentro. Perdeste-te no tempo. O coração está aos bocadinhos e no chão à tua frente. Acontece sentires-te perdida. E passado uns tempos, olhas para ti. Olhas para as peças do puzzle e descobres uma maneira de o montar. Olhas para o fundo. Vês mais do que aquilo que está à tua frente. Vês a imagem completa. Vês o princípio, o meio e o fim. E tens a oportunidade de começar outra vez. Fazeres um novo caminho. Redescobrires-te. Sentires como se fosse a primeira vez. E ganhas a força que precisas para isso. Vais atrás de tudo o que sonhas. Dos sentidos. E ficas tão leve que te sentes capaz de o fazer. Voar. A sentir o mundo na ponta dos pés.
Acontece sentires-te perdida.