estória §41


Às vezes estamos assim na vida. Temos vários momentos. Uns melhores, outros menos bons, outros mesmo maus. Mas também necessários. Uns mais atarefados, outros com mais tempo para nós e para os nossos botões. E temos que os viver a todos. Não podemos fugir de nenhum. Não podemos fazer batota. Não dá, simplesmente. Mesmo que pensemos que sim. Mas não conseguimos. E o melhor que podemos fazer é olhar para isso e ver o que tem de melhor. O que é bom lá. Tirar o melhor partido de algo. De alguém. Da situação. Do momento. Deixar que as coisas boas fiquem. E as menos boas que adormeçam. Se escondam. Até as esquecermos. As esquecermos quando formos capazes de pensar naquilo e isso ser algo normal. Que não nos afecte tanto. Porque há coisas que temos mesmo que esquecer. Para ganharmos espaço para coisas novas e para as antigas que realmente temos que guardar. Sim. Porque há coisas que são boas de guardar. Relembrar. Ficar feita parva com aquele sorriso na cara de quem está perdido nos seus pensamentos. Num mundo que só ele sabe. É bom ficar assim. É bom podermos ficar perdidos em nós mesmos. E também é bom poder partilhar isso com outros. Outros que são importantes para nós. Que muitos deles são essas mesmas recordações. Estão nesses momentos. E é bom reviver com eles isso tudo. Reviver e poder idealizar outros novos momentos. Acabar por fazer pequenos planos para o futuro. Com aqueles de quem gostamos e que são importantes. Mas sem nos darmos conta de tal. Poder imaginar e sonhar de olhos abertos. Sem ter medo de cair lá da nuvém aos trambolhões. Acreditar que pequenos sonhos se podem mesmo tornar realidade. É bom sentirmos isso. É bom acreditar piamente nisso. Termos sempre dentro de nós um bocadinho da criança que fomos. Sermos um bocadinho criança às vezes. Brincadeiras. Rambóia. Sermos felizes. Eternamente felizes nesses momentos. E podermos estar com um sorriso na cara tal e qual como uma criança. Inocente. Sem preocupações. Apenas com o pensamentos nos amigos e brincadeiras. São os melhores momentos da vida. Aqueles que não temos que esquecer. Aqueles que devem servir de molde para outros. Porque quando os deixarmos de ter, a vida perde um bocado de graça. Perde muito. E se ela perde, nós perdemos também. E não tem piada nenhuma perder assim. Perder isso.

estória §40


Com isto quero dizer que há momentos em que talvez valha a pena esperar antes de uma pessoa se atirar de mergulho. Até porque podem acontecer coisas piores do que a àgua estar fria; a piscina pode estar vazia. E espera é o tempo, é deixar crescer aquilo que há-de ser. É sempre pouco quando há muito para dar e receber.
*Margarida Rebelo Pinto

Às vezes o melhor é mesmo esperares. Quando não sabes bem o que fazer, não há nada melhor do que isso. Ouve-me. Espera. Não faças nada de cabeça quente. Porque pode não ser o melhor para ti. Podes pensar que é. Mas depois a piscina pode estar vazia. E aí é um grande trambolhão. A tua cabeça está a mil à hora. As ideias e pensamentos andam a chocar uns contra os outros. E acabas por não perceber nada do que tu própria queres. Ou pensas que queres. Assim é melhor deixar o tempo correr um bocado. Abre a janela. Não faças a cama. Deixa que tudo tome um pouco de ar. Senta-te no chão. Fecha os olhos. Respira fundo. E espera. As ideias hão-de ir ao sítio de alguma maneira. Espera e vê o tempo. Isso vai dar frutos. Vai crescer o que tem que crescer. Porque quando semeias algo também tens que dar um tempo para que possa brutar da terra e crescer saudavelmente. Com esses teus pensamentos também se passa isso. Semeaste-os a todos e agora tens que deixar crescer o que há-de ser.
Abre a janela. Deixa que tudo tome um pouco de ar. E dá tempo.

estória §39


Trazes o tempo desfeito no que procuras em ti. Se olhares no fundo do peito, saberás quem és mesmo até ao fim. Faz parte ser um pouco perdido, faz parte começar outra vez, faz parte ir atrás dos sentidos e voar a sentir o mundo na ponta dos pés. 
*Mafalda Veiga

Também isto faz parte da vida. Não tens sempre que ter a certeza de quem és. O que queres. Para onde vais. Porque vais ou porque gostas. Porque acontece. Não tens que saber tudo de ti. Às vezes acontece. Ficar-se assim. Desfazes-te por dentro. Perdeste-te no tempo. O coração está aos bocadinhos e no chão à tua frente. Acontece sentires-te perdida. E passado uns tempos, olhas para ti. Olhas para as peças do puzzle e descobres uma maneira de o montar. Olhas para o fundo. Vês mais do que aquilo que está à tua frente. Vês a imagem completa. Vês o princípio, o meio e o fim. E tens a oportunidade de começar outra vez. Fazeres um novo caminho. Redescobrires-te. Sentires como se fosse a primeira vez. E ganhas a força que precisas para isso. Vais atrás de tudo o que sonhas. Dos sentidos. E ficas tão leve que te sentes capaz de o fazer. Voar. A sentir o mundo na ponta dos pés.
Acontece sentires-te perdida.

estória §38


Nesse céu onde o olhar é uma asa que não voa, esmorece e cai no mar. Que perfeito coração no meu peito bateria, meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia, perfeito meu coração. Se um olhar de novo brilho no meu olhar se enlaçasse.. Que perfeito coração morreria no meu peito, meu amor na tua mão, nessa mão onde perfeito bateu o meu coração. Que perfeito coração no meu peito bateria, meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia, perfeito meu coração. 
*Amália Hoje

Vão e vêm. Como tudo na vida. Alguns ficam por um tempo. Dias, meses, anos, décadas. Mas acabam todos por ir. Enquanto ficam, enquanto estão connosco. O nosso coração cabe perfeito na mão do outro. Bate num compasso perfeito com o do outro. Perfeito. É tudo perfeito. E chega a altura em que já não se voa mais nesse sentido. Já não é perfeito. E fica então vazia, a mão onde perfeito bateu o coração. Fica assim por um tempo. Até que o nosso olhar encontra outro. Um novo olhar que fica preso ao nosso. E descobre-se um nova mão onde o nosso coração cabe perfeito, onde bate perfeito.
De novo tudo perfeito.

estória §37


Atira para a Lua, e se não acertares, ainda estarás entre as Estrelas.
Pede a Lua. 
*Cecelia Ahem

Sim. Quando pedires uma coisa, pede em grande. Arrisca tudo. Dá tudo por tudo. Pensa que podes ter tudo. Como uma criança que sonha sem parar. Pensa que tudo é teu. Que tudo pode ser teu. Basta atirares para a Lua. Poderás estar a pensar que também sonhar de mais, querer demais.. A queda depois pode ser grande. O tiro pode sair pela culatra. Sim. É verdade. Acontece. Mas quando tiveres alguma segurança. Quando acreditares que não vais cair. Nessa situação, atira para a Lua. Parece difícil de alcançar, de chegar lá. Mas nunca sabes onde chegarás. E depois se não conseguires o que queres.. Tens sempre as Estrelas. Também podes pedir a Lua quando tudo te parece tão difícil. A probabilidade de cair é maior, sim. Mas às vezes sonhar sabe tão bem. E melhor: faz tão bem. Por momentos esqueces as preocupações e voas em direcção ao céu. Depois só tens de ir acordando devagarinho. Assim não custa tanto.
E depois se não conseguires o que queres.. Tens sempre as Estrelas.

estória §36


Mas não fiques quieta, à espera que a vida te traga respostas. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. E quando todas as laranjas caírem, apanha-as com cuidado, guarda-as num cesto e muda de profissão. O circo é para quem não tem casa nem país, não é vida para ninguém. Guarda as laranjas num cesto, leva-as para casa e faz um bolo de saudades para esquecer a mágoa. E nunca deixes de sonhar que, um dia, tal como eu, vais encontrar alguém mais próximo e mais generoso, que te ensine a ser feliz, mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho. Larga as laranjas e muda de vida. A vida vai mudar contigo. 
*Margarida Rebelo Pinto

Alguém mais próximo e mais generoso. Que te ensine a ser feliz. Mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho. Gosto de pensar que vai ser assim para todos. Há sempre alguém para alguém. E quando o alguém que temos não é esse alguém, apanha as laranjas que cairam. Não fiques a olhar para o que aconteceu. Segue em frente. Vive. Tomo outro caminho. Pega nas laranjas e faz um bolo. Um bolo de saudade. Que ajuda a esquecer essa tristeza. Que te saiba tão bem como os tempos atrás. Porque é sempre bom. E é apenas isso que tens que guardar. São essas as laranjas que cairam por terra. São essas laranjas que apanhas e colocas num cesto e levas para casa. Depois do bolo, segues em frente. Não ficas para sempre a fazer bolos. Não podes. Pois de certeza que terás mais laranjas para apanhar e guardar. E um dia terás esse alguém. E a tua vida deixa de ser um circo. Passas a ter um sítio. Uma casa. Mudas-te de vida e ela mudou contigo. Fica sempre com isto em mente. Sonha com isto que te tornas mais perto de o alcançar. Quero pensar que sim.
Guarda as laranjas num cesto. Levas-as para casa. E faz um bolo de saudades. Para esquecer a mágoa.


estória §35


Escrever. Era isso que queria. Mas não sabia o quê. Então alguém disse: escreve para mim. Acho que é um bom motivo para escrever. Pensar numa pessoa e escrever o que no fundo ela nos diz. O que ela nos faz lembrar. Sentir. Viver. Todas as pessoas têm esse efeito em cada um de nós. Umas deixam-nos alegres, com uma sensação boa, com um sorriso quando pensamos qe vamos tar com ela. Fazem-nos bem à alma e ao ego. Já outras têm o efieto oposto. E não as podemos ver nem pintadas, como se costuma dizer. Também há outras que pronto, não têm muito efeito em nós, às vezes não percebemos se nos fazem bem ou não. Se são importantes ou não.

«Escreve para mim». Este alguém é sem dúvida uma daquelas pessoas importantes. Que nos dão uma sensação boa. Que nos fazem bem à alma e ao ego. É espeical para mim. Querida. A melhor amiga. Aquela com quem posso contar. Com quem já passei muito tempo. E com quem espero passar muito mais. É certo como tudo, como com todas as pessoas, não temos que concordar com tudo, não temos que gostar das mesmas coisas. Mas é bom sermos diferentes e no entanto compreendermo-nos. Passarmos por coisas parecidas. E estarmos lá uma para a outra. Isso é que é importante. Saber que temos lá um ombro amigo. Que nos diz coisas que por vezes sabemos, mas não sabemos. Mas também é fundamental nos momentos de brincadeira. Aquelas noitas fantásticas. Aquelas conversas nossas. As nossas coisas.
É bom termos pessoas assim na nossa vida. Torna-se tudo mais fácil. Os dias correm melhores. E nem quero imgainar como seria se não pudesse ter assim pessoas na minha vida.