estória §123


Existem várias metas ao longo da vida. Todos temos um certo conjunto de metas, algumas já pré-definidas há algum tempo, outras que mudam e deixam de existir, e outras ainda que surgem sem termos pensado nisso. Cheguei a uma dessas metas que tinha definido para mim. E posso afirmar que cheguei feliz. Cansada, com esforço, mas feliz no fim. Foi o que eu quis e, apesar de ser um pouco difícil ao princípio, continuei, tentei e consegui. Sim, orgulhosa de mim mesma. Por ter conseguido e por ver que as pessoas essenciais também ficam orgulhosas. É uma sensação tão boa, que me deixa tão bem e feliz. É bom ver que os outros têm orgulho em nós, que gostam de nós e que nós os conseguimos deixar assim. É bom ter o reconhecimento dos outros e ver a felicidade nos nossos olhos e nos deles.

estória §122


O querer nem sempre é o suficiente. Ela pensava que sim. Mas enganou-se. Ela pensava que quando uma pessoa queria muito, que conseguia isso, que o mundo conspirava todo a favor disso. Mas enganou-se. O querer nem sempre é suficiente quando isso também depende de mais alguém. Porque é preciso dois “querer” para no fim o resultado dar positivo. Pois “mais” com “menos” dá "menos". Por mais que o “mais” seja grande, ele não vence o “menos”. O que é pena. Não basta uma pessoa querer muito, desejar muito isso, afirmar que daria tudo e mais alguma coisa. Isso não chega e não leva a lado nenhum. Ela concluiu isso, com pena. Ela nunca teve tanta pena de o resultado ser “menos”. 

estória §121


Queria ser forte o suficiente para seguir em frente. Não gosto de incertezas. Queria respostas. Não as tens e eu tenho que ser forte o suficiente para seguir outro caminho. É altura de pegar no mapa e ver outra direcção. Ou então arriscar e ir à descoberta. Virar para um sítio qualquer. Novo. E não ficar a tentar ir por um que, por mais que avance, parece que não saio do mesmo lugar. Eu queria muito continuar a ir por este caminho, mas para ir sozinha tenho que ir por outro. Tenho que pensar seriamente nisso. Qual o outro caminho que posso começar a ir.
“E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar.”       *Susana Tamaro

(Eu não queria nada que fosse assim...)

estório §120


Ela não contava com ele. Ou melhor, ela não contava com ninguém. Não estava à espera que alguém novo fosse aparecer na sua vida. Mas ele veio. Ele entrou de um modo estranho na vida dela. E foi ficando. E ela começou a gostar. E gostou rápido, como lhe acontecia sempre que começava a gostar de alguém. Ele continuou lá. Mesmo quando não estava pessoalmente, ele continuava presente no seu pensamento [e continua]. Coisas boas foram acontecendo. Coisas que a deixavam feliz. Ele deixava-a feliz. Mas ela sempre teve medo e mostrava-se insegura. No fundo, ela tinha medo que isto fosse como era das outras vezes que gostava de alguém. E acabou por ser. Afastaram-se sem, se calhar, se darem conta, sem o quererem fazer. Mas estava a acontecer. Houve falhas. Ela não queria aquilo. Ela tinha certezas. Do que sentia. Do que queria. Apesar disto, duvidava dele. Ele não tinha certezas. As coisas para ele tinham desaparecido. E isso já não a deixava feliz. Mas antes com saudades. Saudades dele. Do que existiu. E, principalmente, do que poderia ter existido.

estória §119


O tempo podia voltar para trás. Às vezes isso podia acontecer. Podermos voltar para trás. Saltar de momento em momento. Relembrar exactamente o que se viveu, onde se estava, com quem se estava, o que se sentiu, o que aquilo provocou em nós, o que aquilo deixou em nós. E mais. Poder mudar, poder reagir de outro modo, ter outra atitude, dizer coisas diferentes. Ou simplesmente deixar tudo como foi e apenas reviver.

estória §118


É difícil. Às vezes há coisas difíceis. Esta é uma delas. Porque há coisas que me fazem simplesmente lembrar de ti. Porque, pior ainda, não é preciso nada para me lembrar de ti. Porque surges no meu pensamento sem pedir licença e entras sem esperar que eu te dê permissão. Porque há coisas que simplesmente queria poder partilhar contigo. Porque me faria feliz poder partilhar o que me deixa feliz. Porque quando gostamos de alguém é assim. 

estória §117


Porque é bom estar com quem gosta de nós. Com quem podes ser tu, por mais estúpido que sejas, por mais figuras que faças, mesmo que não saibas dançar, fales alto, fiques demasiado alegre com pouco. Porque é bom poderes ser assim ao pé delas. Porque sorris junto. Porque se conta coisas sem dizer nenhuma palavra. E se conta nada de jeito dizendo tudo e mais alguma coisa. Porque fazemos rir quando é preciso. Porque nos divertimos e fazemos palhaçadas. Mas porque estamos lá para tudo e para cada uma.