Passou uma semana. E ela conseguiu cumprir a promessa que fizera aos
outros, e que fizera sobretudo a ela mesma. Orgulhosa disso? Nem por isso.
Ainda não “acreditava” que isto seria o melhor para ela. Ainda queria tanto
falar com ele, estar com ele, resolver as coisas com ele. Mas a verdade é que
durante esta semana ele não lhe dissera nada, tal como ela esperara que
acontecesse. Ela própria dissera ‘Assim que eu deixar de falar, ele não vai
dizer mais nada..’. E assim foi. Pelo menos durante esta semana. No seu íntimo,
ela tinha mais uma esperança que ele pudesse dizer-lhe algo, que sentisse
“falta” e lhe falasse nem que fosse só um ‘olá!’. Mas depois, a outra metade de
si, sabia que isso nunca iria acontecer, sabia que nunca mais iriam falar. E
andava a convencer-se que isto era o melhor para si. Uma semana tinha passado e
ela continuava com dificuldades a “acreditar” nisso. Mas uma coisa é certa, ela
tinha conseguido cumprir a promessa. E tinha de continuar a cumprir. Um dia, sem
se aperceber, isto já não faria parte das “coisas importantes”, seria uma mera
recordação.
estória §92
É tempo de tomar
outro caminho. Os verões servem para isso. Deixar para trás, encerrar um
capítulo e ter a coragem de dar o primeiro passo, novamente. No verão é a
escola que acaba, é a faculdade que acaba, é o trabalho que acaba, são amizades
que terminam, são amores que se enterram. É no verão que a praia chega, que o
sol vem em todo o seu esplendor, que os trabalhos de verão começam, que está a
dispor novas oportunidades, novas pessoas, novos sorrisos, novos abraços. É a
meta e a partida.
Hoje é o dia de
começar um novo caminho. Hoje : )
estória §91
Ela estava tão
nervosa como da primeira vez que se encontrara com ele, naquela noite fria de
Dezembro do ano passado. Já fora há tanto tempo, mas ela recordava-se do
momento de nervosismo por ir passear só com ele. Agora aqui estava ela, deitada
no sofá a ver televisão. Todavia a sua atenção não estava no filme banal que
passava na tv sobre 4 amigos. O coração batia a mais de 100 à hora, o peito
estava apertado e ela pensava que estava mais nervosa que nessa noite em que
foi passear com ele. O pensamento dela vagueava entre o passado e as suas
expectativas sobre o futuro. Ela queria tanto falar com ele e esclarecer as
coisas e, ao mesmo tempo e neste exacto momento, não sabia se o queria mesmo.
Estava tão nervosa que o medo começa a espreitar e a sua determinação em
esclarecer as coisas estava-se a desmoronar. Perguntas e perguntas invadiam-lhe
a cabeça. Será que ainda tinha alguma
lógica ela ir falar disso? Será que era mesmo o que ela queria fazer? Será que
devia desistir e seguir em frente sem olhar para trás? E se ela não conseguisse
falar disso? E se fosse isto uma estupidez e os outros tivessem razão? E se ele
dissesse o que ela desejaria ouvir? Estava
a ficar atormentada e cada vez mais nervosa e ansiosa pela hipótese de se ir
encontrar com ele ao fim deste tempo todo e depois de múltiplas tentativas sem
sucesso. Sentou-se no sofá e pensou que não podia ser assim. Que ela dissera
sempre que daria tudo para poder falar com ele e esclarecer isto. E que tinha
que ter a coragem para o fazer agora que essa oportunidade estava a bater à
porta. Não podia acanhar-se e ficar com medo. Isso era o que ele andara a fazer
durante estes meses. A evitar encontrar-se com ela, a evitar responder às
mensagens, às perguntas sobre isto e a todas as hipóteses que ela lhe dissera
haver entre eles e às quais ele não respondeu nem sim nem sopas. Ele era aquele
que não demonstrara coragem nem vontade. Ela era aquela que queria esclarecer
tudo e, que no fundo, tinha uma esperança ínfima que as coisas pudessem acabar
bem. Contra todos os factos que tivera ao longo destes meses, ela ainda tinha
essa esperança. Ela dizia que precisa de ouvir da boca dele o que pensava para
que pudesse seguir o seu caminho. Todos lhe diziam que não devia de insistir
mais nisto, pois ele já tinha demonstrado o que queria, ou melhor, o que não
queria, e que isto só a iria magoar mais. Mas a sua teimosia e a esperança que
existia ainda no seu pequeno coração, faziam-na avançar com toda esta história.
Ela tinha de conseguir e tinha que mostrar aos outros que sim, ela poderia sair
muito mais magoada, mas que aquilo lhe iria fazer bem, no final, para poder
continuar o seu caminho. Era por ela que ela queria fazer isto. No fundo, ela
desejava tanto ter alguém ao lado dela, alguém que lhe desse atenção, miminhos
e abraços e a quem ela pudesse dar isso também. Ela precisava disso, pensava
que de outra maneira seria tão difícil caminhar daqui para a frente. E com esta
atitude ela estava a ser egoísta e a não dar o merecido valor àqueles que ela
tinha à sua volta, que sempre estavam lá para ela e que lhe davam todo o apoio,
independentemente se concordavam ou não, como neste caso. No fundo, ela tinha
noção disto, mas ela estava com tantas certezas que não conseguia seguir o seu
caminho se não insistisse neste encontro. Tinha mesmo que acontecer e ela tinha
que ter coragem e não sofrer por antecipação. As coisas iam ficar esclarecidas,
fosse como fosse.
estória §90
És uma coisa que me afecta. E afectas-me
mais do que aquilo que devias afectar. Quer dizer, não me devias de afectar em
nada. Não devias ter esse poder sobre mim. Porque eu devia de me estar a lixar
para ti. Mesmo que não queiras e que eu não queira, acaba por ainda haver uma
esperança ínfima, tão ínfima que mal se nota, mas que para mim significa muito.
Depois tiras-me essa esperança como se me tirassem o chão e eu caio sem saber o
que fazer para impedir isso. E isto acontece sempre e sempre, e vai voltar a
acontecer. Não devia ser assim. Mais uma vez digo que não devia ser assim. Eu
não tenho este poder em ti e tu não o devias ter em mim. Não. Mas eu sou a
culpada disso. Dou importância a uma coisa que não merece. Permito que isso
entre na minha vida e a comande em demasia. Mas eu sou assim. Esta sou eu. A
dar importância a quem não merece, a quem não me dá nem metade. E eu apenas
queria que me desses um bocadinho do teu tempo. Meia hora, talvez mais talvez
menos. Dependia de ti também. Mas talvez meia hora fosse suficiente. Contudo,
parece que não tens esse tempo para mim. Não tens, não queres. Foges. Sinto que
foges disto. Acho que não tens coragem para vir ter comigo e falarmos. Sim,
porque eu só quero conversar contigo.
estória §89
A gaveta continua aberta. Aquela. Sim, essa gaveta mesmo. Não a
consigo fechar. Não me deixam fechá-la, é a minha versão da história. Se calhar
alguém no meu lugar já a tinha fechado. Pois… Se calhar sou eu que não a quer
fechar. Se calhar sou eu que anda a adiar isto e a inventar desculpas para mim
própria para não ter que fechá-la. Mas eu quero fechar essa gaveta... Quero,
sim! Não me interessa o que vai estar lá dentro, mas não quero que ela continue
aberta. Está ali há demasiado tempo assim… Pois, mas continuo a adiar isso. Mas
eu preciso primeiro daquilo para depois a fechar de vez! Não me interessa no
que vai dar. Preciso de factos. Sem isso não consigo fechá-la. Sou teimosa,
sou. Não me interessa mesmo mais nada… Só quero mais um facto. Só.
estória §88
I’d trade anything just to have those
seconds of your time you are spending now with them. I wish you know how deeply
I wanted to talk to you. We haven’t seen each others for days. I
guess you’re okay. I
will be, soon.
Falar
contigo. Estar contigo. Quero tanto. E tu sabes disso, mas finges que não sabes
ou então pouco de importa isso. Pouco te importo eu. E tenho medo de saber
isso.. Que essa seja a verdade. Não sei se estás mesmo bem. Pareces estar. Eu
não estou. Não estou bem e não sei quando vou ficar. Em não é de certeza. Só
vou ficar um bocadinho melhor [não bem, mas um bocadinho melhor] quando falar
contigo e perceber se pouco te importo ou não. Eu queria que fosse ou não.
Queria que “voltássemos” atrás.
[miss
you.. so much] *
estória §87
Nesta altura do campeonato as coisas não deviam estar assim como
estão. Em vez de correr em direcção à meta, com toda aquela vontade e orgulho
de mim mesma como quem está prestes a chegar lá, não. Sinto-me como um
caranguejo. Um bocadinho a andar para trás.. Só aconteceu coisas que não deviam
de acontecer, coisas que eu não contava que acontecessem, coisas que eu não
queria que ficassem trilhadas no meu caminho. Está a ser uma má temporada.
Coisas más parecem que só atraem coisas más. É isto que está a acontecer. E que
me prendem. Que o meu coração me faz prender. Ele está tão apertado que não
consegue fazer mais nada se não agarrar-se à pouquíssima esperança que há em
relação a isso. Agarra-se e depois vem um vento fraquinho que o faz tremer, que
é como uma ajuda para que ele se solte e siga a sua viagem, mas ele apenas se
deixa estar e de tanto esforço para se segurar, chora. Chora. Sinto-me presa na
corrida. Sinto-me cheia de coisas más. Sinto que isto não vai passar assim tão
rápido. Sinto a meta bem lá ao fundo, cada fez mais distante. Sinto que apenas
eu tenho as armas para ainda arrasar nesta temporada. Mas sinto-me tão
impotente.
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