estória §66


Nobody chooses to be a freak. Most people don't realize they're a freak until it's way to late to change it. No matter how much of a freak you end up being, chances are there's still someone out there for you. Unless of course, they've already moved on. Because when it comes to love, even freaks can't wait forever.
*Grey's Anatomy

É verdade. Ninguém escolher ser aquilo que é, independentemente do que seja. Magro. Gordo. Feio. Bonito. Alto. Baixo. Que gosta de tudo e mais alguma coisa. Que nada lhe agrada à vista. Selectivo. Esquisito. Que tudo o que vem à rede é peixe. Teimoso. Chato. Simpático. Resmungão. Gabarola. Tímido. Esquecido. Brincalhão. Aluado. Rezingão. Distraído. Bem, não interessa o que alguém é. Porque ninguém o escolhe ser. Toda a gente tem a sua "esquisitice", no fim de contas. Só há em aceitar o que somos. E que aqueles que estão connosco também o aceitem e compreendem. E esteja lá para nos apoiar. Isso é que é importante. É isso que pode fazer a diferença na nossa vida. Por vezes não nos apercebemos da nossa "esquisitice" até alguém reparar nela ou por nós próprios nos depararmos com alguma dificuldade e sermos obrigados a mudar a tal "esquisitice". Pois é. Não temos culpa de sermos assim. Mas por vezes podemo-nos ver obrigados a mudar. E às vezes isso pode ocorrer tarde de mais. Ou melhor, por mais que tentemos mudar, às vezes, pode já não adiantar de nada, pois iremos continuar sempre assim. E aí, é vivermos com a nossa "esquisitice" da melhor forma possível. E mais uma vez, que aqueles que estão connosco aceitem, compreendam e nos apoiem. Que estejam lá para nós e que nós também estejamos lá para as suas "esquisitices". Afinal é o que todos queremos. Ter alguém para as nossas "esquisitices".

estória §65


10 do 10 de dois mil e 10. Engraçado. Estas coisas são engraçadas. Como as horas quando casam. Como os anos quando casam. Gosto. Acho piada. Não me perguntem porquê. Porque não sei. Mas acho piada. Há coisas assim, não há? Que nos deixam assim com um sorriso a querer espreitar. Só que depois pensasse: quão tonto é isto - Gostar destas coisas! É mesmo algo tonto. E ainda há mais. Há quem acredite que estas "coisas tontas" possam trazer algum tipo de sorte e energia positiva. Verdade? Não sei. Foi um bom dia, por acaso. Mas se estas coisas trazem sempre sorte, acho que nunca se saberá. Apenas gosto destas.. coincidências (?) ou lá o que quiserem chamar. E a vida também é feita destas pequenas coisas tontas. E depois também podemos associar algumas coincidências destas a pessoas que nos são queridas. E é tão bom. Graças a uma dessas pessoas hoje reparei que era dia 10 do mês 10 do ano dois mil e 10. Cute*

estória §64


Sábio ou embriagado? 8 ou 80? Na vida há sempre extremos. E há sempre alguém que vive nesses extremos. É bom? É mau? Sim. Não. Depende da pessoa. Há pessoas para tudo. Por isso há quem viva sábio e também quem passe a vida embriagado. Aqui estão dois estilos bem diferentes de viver. Sábio aquele que vive em linha recta. Aquele ser humano que não se deixa influenciar com nada, que mantém uma certa distância dos acontecimentos, sejam eles bons ou maus. Sim, podemos chamá-lo de pessoa “fria”. Que parece que não fica feliz com nada, mas também não se vai abaixo quando algo de menos bom ocorre. Nada o aquece nem arrefece. É “insensível”? Sim, se calhar é como as outras pessoas o vêem. Pois bem, no pólo oposto está aquele sujeito que anda sempre embriagado. Entenda-se por embriagado não a pessoa que anda sempre bêbedo de vinho, mas aquela outra pessoa muito emocional, tal como uma pessoa bêbeda, as emoções estão sempre bastante presentes, sejam elas boas ou más. Acontece algo de positivo e lá está essa pessoa a pular de alegria, acontece algo de menos bom e essa pessoa está de rastos como se fosse o fim do mundo. É a dita pessoa que chora por tudo e por nada ao mesmo tempo que sorri sem mais nem menos. Tudo é vivido com demasiada emoção. Ambos estes tipos de pessoas são sem dúvida muito extremistas. E uma vida destas não é algo que seja muito convidativo. Então… Viver como? Seguindo um ditado: “No meio é que está a virtude”. Acho que é bom termos um bocadinho de cada um destes extremos. Por vezes, era bom manter a distância de certas coisas que nos acontecem. Sermos frios e não nos importarmos com isso. Seguirmos o caminho sem alterar a velocidade dos nossos passos. Ficarmos seremos independentemente do tão mau que seja o acontecimento. Sermos fortes o suficiente para manter as emoções fora do barulho. Sermos o mais racional possível. Mas nem sempre (ou melhor, raramente) conseguimos ser assim tão frios. E as emoções vêm sem darmos conta delas. Apoderam-se de nós e do nosso pensamento. Ficamos totalmente sem pensar. São emoções por todos os lados. Há situações assim, numas pessoas mais, noutras menos, mas este turbilhão de emoções existe. O que dava mais jeito nestes casos era conseguir-se controlar um pouco isto. Rodar o botão do “volume” da quantidade das emoções, de modo a diminuir as emoções que temos, para que não fossem tão fortes. Isso seria o ideal. Mas não. Ninguém disse que a vida seria perfeita. E ela não é mesmo. Há que sabermos tirar o maior partido de tudo. Aproveitar tudo. De bom e de menos bom. Com tempo, uma pessoa pode aprender a vivenciar melhor certas situações. Vamo-nos conhecendo melhor a nós próprios, às nossas emoções e aos nossos pensamentos. Não devemos sempre afastarmo-nos dos acontecimentos e das pessoas. Temos que nos envolver, para vivermos. Mas temos que saber gerir o que se passa cá dentro para não sermos demasiadamente emotivos. Tem que haver um equilíbrio. Como em tudo na vida.

estória §63

Contra factos não há argumentos. Vi factos. Portanto está na hora de seguir. Já estava há muito tempo. Mas só agora é que eu consegui tomar esta decisão de vez. Pelo menos penso que a vou tomar de vez. Já é bom. Já o tinha feito há uns tempos atrás. E hoje volto a fazê-la. Chega de ficar neste sítio. Não é acolhedor aqui. Não sou feliz aqui. Está na hora de partir. O relógio não pára e já perdi muito tempo com tudo isto. Vou seguir viagem. Para onde? Não sei. Vou. Só isso. Vou sem me importar até onde chegarei. Espero que seja um sítio reconfortante. Que me faça feliz. Não importa quem esteja lá. Sei quem poderá já lá estar. Eles vão estar lá sempre. E isso dá-me confiança. O resto logo se vê. Mas sei que será melhor. Só pode ser. É. É mesmo hora de avançar. Dar o primeiro passo. Que é o que custa mais. Vai mesmo custar. Mas agora tenho um “motivo”. Agora vou aproveitar isso para ir. E depois desse primeiro e difícil passo tudo se torna mais fácil. As coisas vão ficando para trás. Cada vez mais longe do coração. Ainda bem. Não quero mesmo pensar no que poderá vir. Eu sei que é algo bom. Quero acreditar nisso. Coisas boas atraem coisas boas. É bom pensar que sim. Faz-me sentir mais confiante e de que vou ser capaz de fazer isto. As malas estão quase prontas. Também não é muita coisa. Tudo o que necessito está comigo como sempre esteve. Tudo o resto, o que não faz falta verdadeiramente, fica pelo caminho. Mais um bocado confiança e esperança, abraços e sorrisos. E estarei pronta. Vai ser desta. Acreditem em mim.

estória §62


Adoro fotografias. Adoro tirar fotografias a tudo e mais alguma coisa. Adoro tirar fotografias àqueles e com aqueles que mais gosto. Gosto de fotografar por um simples facto. Para mim é como se conseguisse que as coisas sentidas, pensadas, ditas naquele momento em que se tira a fotografia, é como se tudo ficasse lá, naquele rectângulo de cor ou a preto e branco. Um rectângulo que pode conter o segundo mais feliz, a batida do coração mais forte, o abraço mais sentido, o sorriso mais sincero, a força de esconder uma lágrima. Tudo corre tão rápido à nossa volta, o tempo não pára nem um segundo. É incrível. E, por vezes, parece que as coisas passam por nós demasiado rápido. Escapam-nos das mãos como se fosse água. Por isso gosto de fotografias. Lá está tudo. Num segundo guarda-se tudo. As fotografias têm esse poder fantástico. Pelo menos para mim. E é verdade. Há uma outra razão para gostar tanto de fotografias. Eu sou uma pessoa esquecida. Não é defeito, já é feitio. E as fotografias ajudam. É sempre mais fácil lembrarmos coisas quando vemos uma fotografia. Olha-se e as coisas vão surgindo na cabeça. Lembramos isto e aquilo. O que foi dito por nós e por quem estava connosco a partilhar este momento. Lembramos como estávamos. Se contentes, se tristes, se bem dispostos. E depois reparamos que estamos com um sorriso na cara. Que a saudade começa a querer espreitar. Vem a nostalgia. É bom. É uma sensação boa, reconfortante. Fica-se feliz. Ao olhar-se para o passado e lembrar os momentos passados através de uma fotografia. Está tudo como que eternizado naquele rectângulo. É magia. Pura magia. Mas nem sempre uma fotografia nos traz algo bom. Pode-nos vir ao pensamento um momento mais difícil, mais triste. Mas isso também é bom, vendo por outro lado. Estamos aqui, no presente, bem, felizes por recordar algo menos bom que já nos aconteceu. Pois, é isso. Algo que já passou. Ao qual sobrevivemos, diga-se. Estamos aqui a lembrar esse momento. E podemos escolher não o lembrar mais. Guardar a fotografia no baú lá em cima no sótão. Ou então olhar para ela quando calhar e pensar que passámos por aquilo e que agora estamos aqui felizes. Com as fotografias é assim. Podemos escolher se as queremos ver, se queremos lembrar aquilo. Dá muito jeito. Com as fotografias faz-se o que às vezes se gostaria de fazer com a vida, com esses momentos fotografados. Viver ou não esses momentos, esses rectângulos. Pensar o que quisermos sobre eles. Escondê-los ou deixá-los na nossa vida. Eternizar algo bom. Eternizar tudo, tudo.
É magia. Pura magia.

estória §61


Voltei a casa. Estou cá à um dia. Olhei de relance e parece que estava tudo na mesma. Tudo igual a quando eu me fui embora. As mesmas pessoas. As mesmas coisas. E foi bom. Foi bom que passado este tempo as coisas estavam praticamente na mesma. O lugar que tomo como o mais seguro na minha vida estava quase intacto. E digo quase porque estava mesmo quase. Não estava totalmente intacto. Totalmente igual. Estava quase. Praticamente. Parecia igual. Porque na verdade haviam pequenas mudanças. Leves. Subtis mudanças que me deram o sinal de que a vida aqui continuou sem mim. Sem isso diria mesmo que tudo parou por aqui com a minha ausência. Mas não. A vida continua em qualquer parte. Comigo ou sem mim. Mas foi bom ver essas pequenas mudanças. Esses pequenos detalhes. Uns que aconteceram para nós. Para mim. Outros que foi para todos. As coisas voltaram ao "normal". A minha vida voltou ao que era antes. Olha-se de relance para ela e parece que está tudo na mesma. Que as coisas estão praticamente iguais em mim. Mas não. Também eu tenho subtis mudanças. Umas feitas por mim própria. A todo o custo. Porque por vezes tem que ser. E quando se está longe é mais fácil. Outras foram feitas por outros. E essas não se podem controlar. Querer ou não querer. Elas vêm direitas a nós e mudam-nos. Afectam-nos. Mas foi algo que provocou uma boa mudança. Enchi-me de coisas novas. Pessoas novas. Sorrisos novos. Vozes novas. Tanta mas tanta coisa. Fiquei a abarrotar. As coisas ainda se estão a digerir. Estes dias ainda servem como processo de adaptação e acomodação de tudo o que aconteceu. De tudo o que aconteceu lá com o que aconteceu cá. Do meu "Eu" antigo com o meu "Eu" novo. O antes com o depois. Ainda está tudo em balanço. Mas este vai ser um balanço com saldo positivo. Longe dos problemas. Bons momentos. Pessoas fantásticas. Muita saudade. Mas sabe bem voltar a casa. Ao porto seguro.

estória §60


Sentámo-nos. Não existia mais nada além de nós, do verde à nossa volta e do azul e branco do céu. O sol espreitava de vez em quando por detrás das nuvens. Aqui parece sempre que está tímido, que tem medo de se mostrar. Tal como eu. Permaneci sentada no banco. Com o casaco vestido, mas não tinha frio. Estava bem. Estou bem aqui. Depois de algum tempo deitei-me. Pus o capuz na cabeça e deitei-me no banco. Fechei os olhos e deixei tudo. Quero deixar(-te). Não havia mais nada. Só ouvia o vento. As ovelhas e as vacas como que a falarem. Até elas parecem que falam. Também gostava que nós falamos. Nem que fosse só que parecesse. Ouvi por vezes algumas bicicletas e pessoas que passavam pelo caminho ali ao lado. Mas mais nada. O sol ganhou coragem e atreveu-se a espreitar. E senti o seu calor. Senti a cara quentinha e as pernas. Foi bom. Fiquei ali assim sem pensar em nada. Com os olhos fechados, os braços em redor do corpo. A cabeça vazia. Completamente vazia. Não estavas nos meus pensamentos. Apercebo-me agora. Abri os olhos por momentos e só vi o céu. Existiam algumas nuvens. E constatei que nada parara naquele momento. Via as nuvens a andar. A terra continuava a girar. Tudo continuava a mover-se. Tudo continuava a acontecer. Mas na minha cabeça tudo estava tão parado. Não existia nada. Não existias. Nenhum pensamento. Nada mesmo. Só uma coisa veio estragar, por assim dizer. O vento. Nada é perfeito para sempre. É verdade. Mas aquilo foi perfeito enquanto durou. Mesmo que tivesse sido só algumas horas. Foi bom ter acontecido. Comecei a sentir o vento mais vezes. A passar por mim. E fiquei com frio. Estava mais forte. Estava a mandar-me embora. Sentei-me novamente. Pus o lenço em redor do pescoço e fechei o fecho do casaco. Estava arrepiada. Não pensei na altura. Mas agora gostava que me tivesses abraçado. Tinha sido bom. Mas o objectivo aqui é não pensar e deixar as coisas irem. Por isso, estava ali só mas não sozinha. Levantámo-nos e começámos a andar de volta para aqui. Estava tão bem. Sentia-me leve. Leve de ti. Não pensei nem um segundo em nada de ti.
E isso pôs-me um sorriso por dentro. Que apenas eu podia ver.