estória §38


Nesse céu onde o olhar é uma asa que não voa, esmorece e cai no mar. Que perfeito coração no meu peito bateria, meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia, perfeito meu coração. Se um olhar de novo brilho no meu olhar se enlaçasse.. Que perfeito coração morreria no meu peito, meu amor na tua mão, nessa mão onde perfeito bateu o meu coração. Que perfeito coração no meu peito bateria, meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia, perfeito meu coração. 
*Amália Hoje

Vão e vêm. Como tudo na vida. Alguns ficam por um tempo. Dias, meses, anos, décadas. Mas acabam todos por ir. Enquanto ficam, enquanto estão connosco. O nosso coração cabe perfeito na mão do outro. Bate num compasso perfeito com o do outro. Perfeito. É tudo perfeito. E chega a altura em que já não se voa mais nesse sentido. Já não é perfeito. E fica então vazia, a mão onde perfeito bateu o coração. Fica assim por um tempo. Até que o nosso olhar encontra outro. Um novo olhar que fica preso ao nosso. E descobre-se um nova mão onde o nosso coração cabe perfeito, onde bate perfeito.
De novo tudo perfeito.

estória §37


Atira para a Lua, e se não acertares, ainda estarás entre as Estrelas.
Pede a Lua. 
*Cecelia Ahem

Sim. Quando pedires uma coisa, pede em grande. Arrisca tudo. Dá tudo por tudo. Pensa que podes ter tudo. Como uma criança que sonha sem parar. Pensa que tudo é teu. Que tudo pode ser teu. Basta atirares para a Lua. Poderás estar a pensar que também sonhar de mais, querer demais.. A queda depois pode ser grande. O tiro pode sair pela culatra. Sim. É verdade. Acontece. Mas quando tiveres alguma segurança. Quando acreditares que não vais cair. Nessa situação, atira para a Lua. Parece difícil de alcançar, de chegar lá. Mas nunca sabes onde chegarás. E depois se não conseguires o que queres.. Tens sempre as Estrelas. Também podes pedir a Lua quando tudo te parece tão difícil. A probabilidade de cair é maior, sim. Mas às vezes sonhar sabe tão bem. E melhor: faz tão bem. Por momentos esqueces as preocupações e voas em direcção ao céu. Depois só tens de ir acordando devagarinho. Assim não custa tanto.
E depois se não conseguires o que queres.. Tens sempre as Estrelas.

estória §36


Mas não fiques quieta, à espera que a vida te traga respostas. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. E quando todas as laranjas caírem, apanha-as com cuidado, guarda-as num cesto e muda de profissão. O circo é para quem não tem casa nem país, não é vida para ninguém. Guarda as laranjas num cesto, leva-as para casa e faz um bolo de saudades para esquecer a mágoa. E nunca deixes de sonhar que, um dia, tal como eu, vais encontrar alguém mais próximo e mais generoso, que te ensine a ser feliz, mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho. Larga as laranjas e muda de vida. A vida vai mudar contigo. 
*Margarida Rebelo Pinto

Alguém mais próximo e mais generoso. Que te ensine a ser feliz. Mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho. Gosto de pensar que vai ser assim para todos. Há sempre alguém para alguém. E quando o alguém que temos não é esse alguém, apanha as laranjas que cairam. Não fiques a olhar para o que aconteceu. Segue em frente. Vive. Tomo outro caminho. Pega nas laranjas e faz um bolo. Um bolo de saudade. Que ajuda a esquecer essa tristeza. Que te saiba tão bem como os tempos atrás. Porque é sempre bom. E é apenas isso que tens que guardar. São essas as laranjas que cairam por terra. São essas laranjas que apanhas e colocas num cesto e levas para casa. Depois do bolo, segues em frente. Não ficas para sempre a fazer bolos. Não podes. Pois de certeza que terás mais laranjas para apanhar e guardar. E um dia terás esse alguém. E a tua vida deixa de ser um circo. Passas a ter um sítio. Uma casa. Mudas-te de vida e ela mudou contigo. Fica sempre com isto em mente. Sonha com isto que te tornas mais perto de o alcançar. Quero pensar que sim.
Guarda as laranjas num cesto. Levas-as para casa. E faz um bolo de saudades. Para esquecer a mágoa.


estória §35


Escrever. Era isso que queria. Mas não sabia o quê. Então alguém disse: escreve para mim. Acho que é um bom motivo para escrever. Pensar numa pessoa e escrever o que no fundo ela nos diz. O que ela nos faz lembrar. Sentir. Viver. Todas as pessoas têm esse efeito em cada um de nós. Umas deixam-nos alegres, com uma sensação boa, com um sorriso quando pensamos qe vamos tar com ela. Fazem-nos bem à alma e ao ego. Já outras têm o efieto oposto. E não as podemos ver nem pintadas, como se costuma dizer. Também há outras que pronto, não têm muito efeito em nós, às vezes não percebemos se nos fazem bem ou não. Se são importantes ou não.

«Escreve para mim». Este alguém é sem dúvida uma daquelas pessoas importantes. Que nos dão uma sensação boa. Que nos fazem bem à alma e ao ego. É espeical para mim. Querida. A melhor amiga. Aquela com quem posso contar. Com quem já passei muito tempo. E com quem espero passar muito mais. É certo como tudo, como com todas as pessoas, não temos que concordar com tudo, não temos que gostar das mesmas coisas. Mas é bom sermos diferentes e no entanto compreendermo-nos. Passarmos por coisas parecidas. E estarmos lá uma para a outra. Isso é que é importante. Saber que temos lá um ombro amigo. Que nos diz coisas que por vezes sabemos, mas não sabemos. Mas também é fundamental nos momentos de brincadeira. Aquelas noitas fantásticas. Aquelas conversas nossas. As nossas coisas.
É bom termos pessoas assim na nossa vida. Torna-se tudo mais fácil. Os dias correm melhores. E nem quero imgainar como seria se não pudesse ter assim pessoas na minha vida.

estória §34


O que é pior, novas feridas que são horrivelmente dolorosas ou velhas feridas que deviam ter sarado anos atrás mas nunca o fizeram? Talvez as velhas feridas nos ensinem algo. Elas lembram-nos onde estivemos e o que superámos. Ensinam-nos lições sobre o que evitar no futuro. É como gostamos de pensar. Mas não é o que acontece? Algumas coisas nós apenas temos que aprender de novo, e de novo, e de novo... 
*Anatomia de Grey

Também não sei o que é pior. Ferirmo-nos novamente ou suportarmos as que já tinhamos. Essas que nos ensinaram alguma coisa. Que nos lembrar algo bom ou menos bom. Porque as feridas podem fazer lembrar alguma coisa boa. No momento até pode ter sido mau. Mas depois ficam as coisas boas que isso trouxe. Sim, primeiro podemos ter de sofrer. Mas o tempo passa e aprendemos apenas a relembrar aquilo que nos deixa com um sorriso na cara, que nos deixa com um ar parvo. Há feridas boas. Mas depois também às menos boas. Aquelas que nos custam quando nos lembramos delas. No fim, aprendemos algo com elas. Podemos é não aprender para toda a vida. E aí já se sabe. Lá temos nós que aprender de novo. Lá vêm feridas novas. Lá vamos nós se calhar sofrer. Depois passa o tempo. Isto transforma-se numa velha ferida. E tornamos a lembrar algo. Mais um conselho para o futuro. Onde no entanto podemos cometer exactamente o mesmo erro. A mesma ferida vai aparecer.
Algumas coisas nós apenas temos que aprender de novo, e de novo, e de novo...

estória §33


Para se ser feliz, nada melhor do que trocar preocupações por ocupações. 
*Masteeline


Preocupações só nos dão cabo da cabeça. Não nos deixam ir. Seguir caminho. Parece que ficamos sempre presos àquilo. Parece que aquilo não desgruda de nós. Não sai. Ou então apenas adormece. E acorda sem darmos conta ou querermos. E perdemos o nosso precioso tempo a matutar naquilo! Perde-se bastante tempo nas preocupações. Se juntássems esses minutos, horas todas.. Ui! Quase que dava uma vida! Vá, de uma forma exagerada. Não levando isto à letra. Mas gasta-se muito tempo nestas coisas que teimam em chatear. Que nos dão dores de cabeça. Noites mal dormidas. Horas a olhar para o dia de ontem a tentar arranjar solução. Mas a solução está em arranjar alguma coisa para fazer. Ocupar o tempo com algo que gostemos. Com que nos sintamos bem. Que nos faça passar um bom bocado. Que nos ponha bem-dispostos. Que nos ocupe a cabeça. E também a alma. Que pareça que somos daquelas pessoas muitas ocupadas. Mas ocuadas com coisas que queiramos. E que nos ocupem no verdadeiro sentido da palavra. Que ocupem o lugar das preocupações. Que consigam mesmo efectuar essa árdua tarefa de substituir o lugar de algo. É sempre díficil Mas consegue-se. Com o tempo trocam-se preocupações por ocupações.
Troca-se uma coisa por outra. Uma pessoa por outra melhor. Quando assim tem que ser.

estória §32


Viver é não deixar fugir o momento.
Nunca se espera que a úlitma vez seja a última vez.

É verdade. Nunca sabes quando vai ser a úlitma vez que tens a oportunidade fazer algo, de estar com alguem, de olhar, sentir, cheirar, tocar, abraçar, falar, ouvir, beijares.. Enfim, não sabes quando é a última vez de qualquer coisa. Não há qualquer modo de descobrires isso. De dizeres: agora é a última vez que.. Era bom. Porque ias fazer de tudo para aproveitar isso. Para que nada escapasse. Para que fosse perfeito. Para um dia mais tarde recordares. Para ser algo maravilhoso de lembrar. Por isso, como não é assim, só há uma coisa a fazer. Não deixes fugir nenhum momento. Porque aquele que pensas que não vai voltar, vai-se repetir montanhas de vezes. E o outro, que pensas que se vai realizar outra vez, podes não voltar a vivê-lo. Não deixes fugir nada à tua volta. Dos sítios que mais gostas. Das pessoas que mais estimas. De todas as coisas que de certo modo dizes serem tuas, porque te querem dizer alguma coisa. Não deixe que isso tudo te escape só porque não pensaste que pode ser a última vez. Porque não sabes se é mesmo. Pelo sim, pelo não, mais vale prevenir.
E não deixares fugir o momento.