És uma coisa que me afecta. E afectas-me
mais do que aquilo que devias afectar. Quer dizer, não me devias de afectar em
nada. Não devias ter esse poder sobre mim. Porque eu devia de me estar a lixar
para ti. Mesmo que não queiras e que eu não queira, acaba por ainda haver uma
esperança ínfima, tão ínfima que mal se nota, mas que para mim significa muito.
Depois tiras-me essa esperança como se me tirassem o chão e eu caio sem saber o
que fazer para impedir isso. E isto acontece sempre e sempre, e vai voltar a
acontecer. Não devia ser assim. Mais uma vez digo que não devia ser assim. Eu
não tenho este poder em ti e tu não o devias ter em mim. Não. Mas eu sou a
culpada disso. Dou importância a uma coisa que não merece. Permito que isso
entre na minha vida e a comande em demasia. Mas eu sou assim. Esta sou eu. A
dar importância a quem não merece, a quem não me dá nem metade. E eu apenas
queria que me desses um bocadinho do teu tempo. Meia hora, talvez mais talvez
menos. Dependia de ti também. Mas talvez meia hora fosse suficiente. Contudo,
parece que não tens esse tempo para mim. Não tens, não queres. Foges. Sinto que
foges disto. Acho que não tens coragem para vir ter comigo e falarmos. Sim,
porque eu só quero conversar contigo.
estória §89
A gaveta continua aberta. Aquela. Sim, essa gaveta mesmo. Não a
consigo fechar. Não me deixam fechá-la, é a minha versão da história. Se calhar
alguém no meu lugar já a tinha fechado. Pois… Se calhar sou eu que não a quer
fechar. Se calhar sou eu que anda a adiar isto e a inventar desculpas para mim
própria para não ter que fechá-la. Mas eu quero fechar essa gaveta... Quero,
sim! Não me interessa o que vai estar lá dentro, mas não quero que ela continue
aberta. Está ali há demasiado tempo assim… Pois, mas continuo a adiar isso. Mas
eu preciso primeiro daquilo para depois a fechar de vez! Não me interessa no
que vai dar. Preciso de factos. Sem isso não consigo fechá-la. Sou teimosa,
sou. Não me interessa mesmo mais nada… Só quero mais um facto. Só.
estória §88
I’d trade anything just to have those
seconds of your time you are spending now with them. I wish you know how deeply
I wanted to talk to you. We haven’t seen each others for days. I
guess you’re okay. I
will be, soon.
Falar
contigo. Estar contigo. Quero tanto. E tu sabes disso, mas finges que não sabes
ou então pouco de importa isso. Pouco te importo eu. E tenho medo de saber
isso.. Que essa seja a verdade. Não sei se estás mesmo bem. Pareces estar. Eu
não estou. Não estou bem e não sei quando vou ficar. Em não é de certeza. Só
vou ficar um bocadinho melhor [não bem, mas um bocadinho melhor] quando falar
contigo e perceber se pouco te importo ou não. Eu queria que fosse ou não.
Queria que “voltássemos” atrás.
[miss
you.. so much] *
estória §87
Nesta altura do campeonato as coisas não deviam estar assim como
estão. Em vez de correr em direcção à meta, com toda aquela vontade e orgulho
de mim mesma como quem está prestes a chegar lá, não. Sinto-me como um
caranguejo. Um bocadinho a andar para trás.. Só aconteceu coisas que não deviam
de acontecer, coisas que eu não contava que acontecessem, coisas que eu não
queria que ficassem trilhadas no meu caminho. Está a ser uma má temporada.
Coisas más parecem que só atraem coisas más. É isto que está a acontecer. E que
me prendem. Que o meu coração me faz prender. Ele está tão apertado que não
consegue fazer mais nada se não agarrar-se à pouquíssima esperança que há em
relação a isso. Agarra-se e depois vem um vento fraquinho que o faz tremer, que
é como uma ajuda para que ele se solte e siga a sua viagem, mas ele apenas se
deixa estar e de tanto esforço para se segurar, chora. Chora. Sinto-me presa na
corrida. Sinto-me cheia de coisas más. Sinto que isto não vai passar assim tão
rápido. Sinto a meta bem lá ao fundo, cada fez mais distante. Sinto que apenas
eu tenho as armas para ainda arrasar nesta temporada. Mas sinto-me tão
impotente.
estória §86
Porque a vida, a nossa vida, é tanta coisa. Não se resume só a isto
ou aquilo. É repleta. De coisas boas, de coisas menos boas, de coisas más e de
coisas ruins (as quais dispensávamos). Mas ela é cheia de tudo! Não importa o
que são, quem são, como são, que classificação lhes atribuímos num momento. O
que importa é que é. E, por vezes, estamos tão focados em algo, com a cabeça e
o coração sempre a apontar na mesma direcção que ficamos cegos e não vemos o
resto. Não vemos, nem de perto, tudo o que está à nossa volta e que pertence
também à nossa vida. Acontece isto muitas vezes. É como se tivéssemos
“mergulhado” a cabeça na areia, tal como a avestruz. E isso, impede-nos de
vermos as outras coisas, sejam elas boas, menos boas, más ou ruins. Se
experimentarmos tirar a cabeça da areia e olhar ao nosso redor, vamos ficar bem
melhores. Quer dizer, não vai desaparecer o que nos mantinha tão focados. O
buraco onde tínhamos a cabeça não desaparece assim do nada. Mas, vai sendo
tapado com a ajuda do vento que leva a areia ao redor para lá. As outras coisas
(boas, menos boas, más e ruins) que estão à nossa volta, e as quais não víamos,
vão ajudar a desvanecer a tal coisas que nos prendia o pensamento e a emoção.
Vamos desanuviar a cabeça. Vamos saber ter uma postura diferente. E vamos saber
aproveitar muito mais da vida, da nossa vida.
estória §85
Chega a uma
altura em que nos fartamos de tudo. Mas de tudo mesmo. Fartamo-nos do nosso
dia-a-dia. Fartamo-nos da rotina de casa. Fartamo-nos do trabalho de sempre.
Sempre o mesmo sítio. Sempre o mesmo caminho. Sempre as mesmas coisas para
fazer. Fartamo-nos das pessoas com quem nos cruzamos. De todas. De tudo o que
fazem ou não fazem. De tudo o que dizem ou não dizem. Daquelas que são próximas
e das que estão próximas. Daquelas que estão longe e perto ao mesmo tempo.
Fartamo-nos de todas, da maioria ou apenas de algumas. Mas fartamo-nos. E
podemos até nos fartar daquelas que nos amam incondicionalmente ou das que nós
amamos incondicionalmente. Mas não é por mal. E não significa que deixássemos
de as amar. Mas aconteceu naquele momento, fartámo-nos. E mais grave é
pensarmos que a “culpa” é delas. Normalmente, a “culpa” é de nós próprios. Está
cá dentro. E nós não nos apercebemos disso. Apenas achamos que o mundo está ao
contrário. E contra nós. E então, fartamo-nos. E só queremos ter o dom de mudar
tudo, ou algumas coisas, na nossa vida, naquele momento. Porque pensamos que já
não dá mais, já não aguentamos mais. Não aguentamos (nem queremos) nada mais
contra nós, contra o que nós queremos para nós. Queremos que as coisas mudem.
Que as pessoas mudem. Não vemos que o tem que mudar ou quem tem que mudar somos
nós. E até vermos isso e percebermos isso, vamos estar sempre fartos. De tudo.
De todos. Cada vez mais.
Mas não é por
mal. Simplesmente, naquele momento, fartamo-nos de tudo e de todos.
estória §84
O intervalo ainda não acabou. Foi o que disse há tempo. Estava tudo noutras mãos que não as minhas. E continua tudo a estar nessa outras mãos. E eu continuo quieta. Continuo sentada em frente à gaveta. Apenas a fechei um bocado. As coisas mudaram levemente. Demoraram um mês, é certo, mas a coisa está agora com outro aspecto, continuando contudo muito parecida ao que estava. Mas com esta minúscula mudança eu resolvi deixar apenas uma frechinha da gaveta aberta. E aumentei o tempo do intervalo. Vou deixar as coisas assim por um tempo que espero não seja muito demorado. Um mês é muito tempo mesmo. E depois pode acabar por ser tempo perdido. Por isso peço(-te) que não tenha que esperar mais um mês. Não me faz bem. Eu não sou assim tão forte. E depois? Depois custa muito mais andar com as coisas para a frente. Custa muito mais arrumar tudo, pôr um ponto final e fechar a gaveta. Ter de tomar essa decisão por mim (e por ti). Custa porque eu não quero ter de fazer isso. Eu quero que as coisas sigam outro caminho. Quero fechar aquela gaveta sem ter de pôr as (tuas) coisas lá dentro. Quero continuar com elas no meu dia-a-dia.
Por isso o intervalo aumentou. Eu continuo sentada à espera. E as coisas continuam noutras mãos.
Por isso o intervalo aumentou. Eu continuo sentada à espera. E as coisas continuam noutras mãos.
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