Nunca se sabe. É verdade. [Tens
razão.] Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã. Podemos sair de casa e, ao
atravessar a rua, um carro vir contra nós e morrermos. Podemos sair de casa e,
ao virar da esquina, esbarrar contra alguém que nos tira o ar. Podemos sair de
casa e alguém nos assaltar. Podemos sair de casa e, ao estarmos parados no
trânsito, alguém do carro ao lado nos sorrir. Podemos sair de casa e
acontecer-nos tudo e mais alguma coisa. [E, assim, um dia, posso sair de casa
porque tive um convite teu. E quem sabe o que virá daí.] Mas também sei, por
experiência própria, que poucas vezes existem segundas oportunidades. Que há
momentos para certas coisas existirem e que passado esse tempo já não resultam
mais. [Se fosse para acontecer outra vez, já teria acontecido algo.] Mas também
acredito [ou quero continuar a acreditar] que às vezes a vida troca-nos as
voltas e se há coisas que têm que existir, tudo sopra a favor delas e só percebemos
o porquê mais tarde. O que ganha no final? O nunca se sabe? O não existirem
segundas oportunidades? O que a vida nos pode trazer? [Irei ganhar-te?] O tempo
irá ajudar. Como em tudo. Para o bem ou para o mal. É esperar. [Espero uma
palavra tua.]
deixa-me-feliz#12
. confiarem em mim e no meu trabalho
. ter colegas fantásticos que são mais que
colegas
. os dias de sol
. ter dois dias de descanso
. quando vens falar comigo
. divertir-me à grande
estória§170
Ainda continuas presente. Creio que é isso.
Por uns tempos parecia que estavas longe. Apesar de ires dando o ar
da tua graça, parecia que nada era mais do que amizade. Afinal, esses ares da
tua graça foram alimentando de novo as coisas que pareciam ter desaparecido.
Afinal, essas coisas estavam adormecidas. Voltaste a acordar-me. E agora? E
agora o que faço com isso?
estória§169
Ela reparou que a vida dela está diferente. A vida está crescida!
Coisas novas surgiram. Outras se desvaneceram. Uma promoção ali. Um novo hobby
acolá. No meio disto novas responsabilidades. Amizades que se foram fortalecendo.
Outras que estremeceram. E outras ainda que ficam mais gastas. Novos hábitos
que tentam ganhar lugar. Tudo resumido numa palavra: crescimento. Sem dúvida
que houve um grande crescimento na vida dela. Feliz? Realizada? Sim, ela pode
dizer que sim que está. De um modo geral. Mas quando ela pensa nessa questão
nota que há sempre algo que falta. Há um sempre calcanhar de Aquiles na vida de
todos. E nada é perfeito. Será que ela algum dia terá aquilo que mais anseia?
Veremos o que o tempo traz. Às vezes é tudo uma questão de tempo. E quando
menos esperamos as coisas acontecem. Essa é a esperança dela.
A vida dela cresceu tanto em um ano. Um orgulho.
estória§167
Quero falar contigo. Quero falar mais contigo. Ou melhor, quero que
tu fales mais comigo. E depois quero estar contigo. Quero que me convides para
algo. Um café. Um passeio. Um cinema. Algo. Tanto faz. Desde que vá estar contigo.
É capaz de tudo isto ser um erro. Não existem segundas oportunidades. Existem?
Gostava que me provassem isso. Que me provasses isso. Mas provavelmente isto é
tudo um erro. É. Não se devia de remexer em coisas do passado. Se já foram
deixadas pelo caminho, é suposto não fazerem parte do nosso presente. Mas
fui-te buscar sem dar conta. Só para ver como estavas. E depois fui deixando
ficar-te. E agora ou deixo-te novamente pelo caminho ou continuo a deixar-te
ficar. Mas isto de te deixar ficar, faz-me andar ansiosa. Sempre à espera que
algo [que não vai acontecer] aconteça. E espero. E volto a esperar. E nada. E
sempre que falamos nada mais é do que isso mesmo. Falar. Conversas curtas.
Muitas delas nem um fim decente têm. Ficam pelo caminho simplesmente. Será isso
algum sinal? Não sei. Ou não quero saber. Independentemente disso fico feliz.
Se bem que depois ansiosa e frustrada. Outras vezes, acabo mesmo zangada e
chateada. Sem que tu saibas disso. Mas feliz. Feliz de cada vez que respondes.
E quero mais. Com o passar do tempo, vou querendo cada vez mais. Apesar de não
ter, de não conseguir isso. E depois só me passa uma coisa pela cabeça:
dizer-te isso mesmo. Dizer-te que [te] quero mais. Dizer e ficar à espera para
ver o que dizes. Se falas. Ou se foges. Não fujas.
E isto é o que tu me dizes. Sem teres coragem de o dizeres a quem
queres de verdade.
estória§166
Somos mais felizes quando não sabemos. A ignorância, por vezes, pode
ser a felicidade. A serenidade. A paz. Quem não sabe de algo, quem não sabe
como pode ser algo, quem não sabe o que se sente quando algo acontece… Quem não
sabe isso vive em paz. Há situações assim. Há situações que nos deixam com
medo. Atormentados. Com nervos. Sobressaltados. Com o coração apertado.
Deixamos de ter paz. Ao princípio é a toda a hora. À medida que o tempo passa,
só sentimos isso em situações parecidas. Depois, depois de algum tempo,
aprendemos a recalcar esse medo. E este só reaparece em alguma situação
extrema. Mas nunca seremos os mesmos depois de passar por essas situações.
Deixam marca. E eramos mais felizes quando não sabíamos o que isso era. Quando
isso eram apenas palavras, hipóteses, estávamos em sossego. Não tínhamos
sentido na pele tal coisa e não tínhamos em memória o medo, o sobressalto, o tormento.
Sim. Por vezes, é-se mais feliz na ignorância.
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