estória§163

E quando parece que existem coisas que apontam para uma segunda oportunidade? Quando parece que o vento traz pequenas conspirações a nosso favor? Sinais de que as coisas se calhar podem tomar a direção que nós desejamos. Mesmo que esse seja um desejo inconsciente ou que se esteja até a reprimir, e simultaneamente ficarmos um tanto ou quanto eufóricas pela possibilidade de existir uma luz ao fundo do túnel. Algo contraditório. Mas de momento não se consegue definir melhor. Estamos neste impasse. Quer-se. Não se quer. Deseja-se. Não se deseja. Se calhar, é necessário mais sinais. Sinais mais fortes e mais consistentes. Dar tempo ao tempo e esperar. Ou a luz se torna mais intensa ou se desvanece.


[Se calhar não há mesmo segundas oportunidades.]



estória§162

Às vezes parece que já passou por certas situações. Dejá vu. Simplesmente isso. É uma sensação tão estranha. No corpo e na cabeça. Quase se sente que se está ali mas não se está. Parece que estamos do lado de fora da imagem a ver o desenrolar da cena. As coisas passam na nossa cabeça tão rápido que não se consegue perceber o que é ao certo. Apenas se tem a sensação que aquilo já aconteceu. Já se viveu aquilo. Não nos lembramos bem é onde aquilo se passou ou quando aconteceu, exatamente. O que causa uma certa confusão e estranheza em nós próprios. Simplesmente paramos, abanamos a cabeça e dizemos: onde foi que já isto aconteceu? E fica a tal sensação estranha no corpo. Fica-se atordoado. Começamos a pensar se aquilo já aconteceu na realidade ou se já sonhámos com aquilo ou, então, nem uma coisa nem outra. E quanto mais se pensa, mais difícil é chegar-se a uma conclusão. Isto acaba por passar, sem nunca se perceber bem o que se sucedeu. Estranho. Simplesmente é essa a sensação.

deixa-me-feliz#10

. o sol de Outono, sem vento, sem chuva
. começar a ver o nascer do sol
. ter assinado o contrato
. ser reconhecida pelo que estudei
. saber que vou estar com elas brevemente - porque "nada nos separará", nem a distância, nem o tempo

estória§161

Ontem ouvi esta frase: You never know what tomorrow will bring. Can be anything. Anything.
E é tão verdade. Ontem não sabia de todo como ia ser o dia de hoje. Apesar de saber que lá é sempre uma animação e rotina e monotonia são palavras que não fazem parte do dicionário daquele espaço. Mas, apesar de contar com esse “fator surpresa diário”, nunca saberia ontem o que ia acontecer. Coisas boas acontecem quando menos esperamos. Mesmo que as desejemos, é quando menos contamos com elas que elas acontecem. E sabe tão bem, sentimo-nos felizes com as boas novas. Só espero que aconteçam milhares de coisas assim na minha vida. Coisas boas quando menos espero.

20.09.2013

estória§160

Sinto-me a perder-te aos poucos. Finalmente, posso dizer. Digo-o com o certo agrado. Mas também com uma certa nostalgia. Vai ficar sempre uma parte de ti em mim. Não sei se é bom, se é mau. Mas vai ficar. É uma sensação. Afinal, fica sempre um pouco dos outros que passaram por nós, que nos marcaram por algum motivo. Foste importante para mim. Foste. Tenho que admitir. Mas já passou o momento. Já foi. É preciso arrumar-te de vez. É impossível voltares a preencher a minha vida. Ficarás como mera recordação. E assim começo-me a sentir reconfortada. 

estória§159

Como às vezes seria tão bom ser pequenina e não (a)perceber nem metade do que está a volta. Onde os problemas e sentimentos giravam em torno das brincadeiras, das amizades e pouco mais. Era um sossego grande, do qual só agora se dá conta. Da preciosidade que isso era. Talvez por isso, se escolha ficar calado em certas alturas. Não falar o que se sente ou o que se acha sobre algo. Ficar calado como se não percebemos do que se trata. Como se fossemos crianças. Um modo de proteção. Um modo de fuga. Talvez seja isso.

estória§158

Tudo parece diferente aqui. Longe da tão grande cidade. Longe do barulho dos carros, do trânsito, da agitação das pessoas. Longe de um lugar cheio de ritmo e luz. Aqui é tudo o oposto. Calmo. Muito calmo. [Para dizer a verdade, calmo demais em certas alturas.] Carros de longe a longe. As pessoas têm outro estado de espírito. E acaba-se por adoptar tal estado de espírito e tudo muda. As rotinas são diferentes. Não há horas marcadas. Pode-se fazer o que quiser, quando quiser. É uma liberdade diferente. E que às vezes é necessária. É necessário afastarmo-nos da confusão e fugirmos para um sítio sossegado. E, apesar de não aguentar muito tempo assim, poderia lá ficar esta semana. Longe da adorada Lisboa. Onde o meu corpo pedia por outro ritmo. Por outra vida. É necessário. Por vezes isso é necessário. Assim que puder volto para lá.