Somos mais felizes quando não sabemos. A ignorância, por vezes, pode
ser a felicidade. A serenidade. A paz. Quem não sabe de algo, quem não sabe
como pode ser algo, quem não sabe o que se sente quando algo acontece… Quem não
sabe isso vive em paz. Há situações assim. Há situações que nos deixam com
medo. Atormentados. Com nervos. Sobressaltados. Com o coração apertado.
Deixamos de ter paz. Ao princípio é a toda a hora. À medida que o tempo passa,
só sentimos isso em situações parecidas. Depois, depois de algum tempo,
aprendemos a recalcar esse medo. E este só reaparece em alguma situação
extrema. Mas nunca seremos os mesmos depois de passar por essas situações.
Deixam marca. E eramos mais felizes quando não sabíamos o que isso era. Quando
isso eram apenas palavras, hipóteses, estávamos em sossego. Não tínhamos
sentido na pele tal coisa e não tínhamos em memória o medo, o sobressalto, o tormento.
Sim. Por vezes, é-se mais feliz na ignorância.
estória§165
Existem momentos para tudo. De trabalho. De lazer. De amar. De cair. De
chorar. De sarar feridas. De levantar e erguer a cabeça. De amizade. De zangas.
De conhecer e descobrir. De confiar. De aceitar. De retribuir. De dar. E tantos
outros momentos. Cada coisa tem o seu momento para existir e se transformar em
algo mais ou algo menos. Porque é assim em tudo na vida. É assim que o Ser
Humano experiencia as coisas. E, quer este queira ou não, as coisas tornam-se a
repetir de alguma forma. Tornam a existir momentos de tudo outra vez. A vida é
feita disso. Momentos bons e menos bons. Dos que ele mais se deseja. E daqueles
que o destino acha que ele precisa. No fim, é sempre uma incógnita do que virá
de novo. Do que estará a caminho de cada um. Bom? Mau? Quem saberá? Mas um dia,
o Ser Humano olha para trás e percebe, ou tenta perceber, a razão de ter
acontecido determinado momento na sua vida. Faz tudo parte de cada um. Ele é
uma coletânea de momentos que abrangem uma escala imensa de sentimentos,
pensamentos, emoções, visões, sons, cheiros e sabores. Tudo isto dado ao acaso.
Ou então com toda a lógica e precisão dentro do acaso que parece ser. O que ele
pode pedir? Que a sorte esteja do seu lado e acreditar que virão sempre dias
melhores. Porque acreditar é tudo.
deixa-me-feliz#11
. fazer a Árvore de Natal
. ficar no escuro a ver a Árvore de
Natal iluminada
. luzes de Natal pela casa, pelas
ruas, por toda a cidade
estória§164
É em alturas como estas que nos perguntamos ‘O que andamos aqui a
fazer ao certo?’ ou ‘Será isto mesmo só uma passagem? A vida será algo tão
maior do que aquilo que realmente pensamos conhecer dela?’ ou ‘Se afinal isto
for somente uma passagem, uma pequena viagem antes de continuarmos para outro
planeta, poderia eu passar a fazer somente o que quero, o que me deixa feliz,
sem me importar com nenhuma consequência disso?’. São as coisas que me passam
pela cabeça nestas alturas. Parece tudo tão breve, às vezes tão sem importância
– dinheiro, ambições, preocupações, zangas, …. – fica tudo resumido a nada. Não
levamos nada daqui. Se calhar poderia deixar tudo e “partir” para um novo
caminho. Mas não é possível viver sem fazer nada que nos dê condições para
viver. Precisamos disso. Apesar de no fim, nada disso importar.
estória§163
E quando parece que existem coisas que apontam para uma segunda
oportunidade? Quando parece que o vento traz pequenas conspirações a nosso
favor? Sinais de que as coisas se calhar podem tomar a direção que nós
desejamos. Mesmo que esse seja um desejo inconsciente ou que se esteja até a
reprimir, e simultaneamente ficarmos um tanto ou quanto eufóricas pela
possibilidade de existir uma luz ao fundo do túnel. Algo contraditório. Mas de
momento não se consegue definir melhor. Estamos neste impasse. Quer-se. Não se
quer. Deseja-se. Não se deseja. Se calhar, é necessário mais sinais. Sinais
mais fortes e mais consistentes. Dar tempo ao tempo e esperar. Ou a luz se
torna mais intensa ou se desvanece.
[Se calhar não há mesmo segundas oportunidades.]
estória§162
Às vezes parece que já passou por certas situações. Dejá vu.
Simplesmente isso. É uma sensação tão estranha. No corpo e na cabeça. Quase se
sente que se está ali mas não se está. Parece que estamos do lado de fora da
imagem a ver o desenrolar da cena. As coisas passam na nossa cabeça tão rápido
que não se consegue perceber o que é ao certo. Apenas se tem a sensação que
aquilo já aconteceu. Já se viveu aquilo. Não nos lembramos bem é onde aquilo se
passou ou quando aconteceu, exatamente. O que causa uma certa confusão e
estranheza em nós próprios. Simplesmente paramos, abanamos a cabeça e dizemos:
onde foi que já isto aconteceu? E fica a tal sensação estranha no corpo. Fica-se
atordoado. Começamos a pensar se aquilo já aconteceu na realidade ou se já
sonhámos com aquilo ou, então, nem uma coisa nem outra. E quanto mais se pensa,
mais difícil é chegar-se a uma conclusão. Isto acaba por passar, sem nunca se
perceber bem o que se sucedeu. Estranho. Simplesmente é essa a sensação.
deixa-me-feliz#10
. o sol de Outono, sem vento, sem chuva
. começar a ver o nascer do sol
. ter assinado o contrato
. ser reconhecida pelo que estudei
. saber que vou estar com elas brevemente - porque "nada nos separará", nem a distância, nem o tempo
. começar a ver o nascer do sol
. ter assinado o contrato
. ser reconhecida pelo que estudei
. saber que vou estar com elas brevemente - porque "nada nos separará", nem a distância, nem o tempo
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