deixa-me-feliz#3


. ir a sítios novos (e ir aos mesmos sítios) com aquelas pessoas que são das mais importantes para mim e passarmos um óptimo momento
. um dia típico de primavera – sol, calor não em demasia, uma pequena aragem por vezes
. expressarem carinho e alegria ao verem-me e sentir-me um pouco importante para eles
. vê-los a divertirem-se e a conviver uns com os outros

estória§147


Foi uma lufada de ar que a meteorologia não previu que ia acontecer. Ela dizia que ia estar sol e um tempo calmo. Eu pensava assim. E não gostei desse vento que houve. Porque simplesmente não estava preparada para isso. Agora já sei. Tempo com sol e na maioria das vezes calmo, mas pode haver vento por vezes.

deixa-me-feliz#2


. as conversas parvas que existem independentemente das idades e formação
. o quanto elas se divertem e ficam orgulhosas de fazerem os quadros em tecido
. as saudades da faculdade, ao jogar à forca e conversar viradas para trás, nas aulas da formação
. andar à procura na rádio de uma música que gosto e encontra-la
. conduzir sem trânsito, com a música alta, a cantar sem ninguém ouvir, imaginar que poderia ir sem destino e sentir-me livre
. sentir o calorzinho do sol

deixa-me-feliz#1


.saber que tenho que trabalhar domingo - o que significa que tenho segunda-feira de manhã livre - o que significa que posso ir ao aeroporto despedir-me da minha badalhoca
.a alegria do H. por eu ter levado a "Bela e o Monstro"
.a L. se esconder debaixo da mesa assim que eu entro na sala, a pensar que eu não a vi
.a L. fazer mais facilmente o seu papel no teatro
.eles estarem todos entusiasmados e interessados em algo que estou a mostrar e explicar
.saber de amigas com quem não falo há algum tempo
.os dias serem maiores - o que significa que está completamente de dia quando chego a casa - o que faz com que pareça que chego mais cedo

estória§146


O corpo paralisou. O coração acelerou. Meio por surpresa. Meio por entusiasmo. Meio por um certo medo. Sem dúvida que eu não estava a contar contigo aqui tão perto. Vi-te tão de repente que apenas deu para paralisar. Ver-te e desviar o olhar, mas querendo continuar a ver-te. Estás igual. Diferente, mas igual. Será que me viste, reparaste que eu estava ali? Ou estava tão concentrado e atento à estrada e a quem estava ao teu lado que não olhaste em frente? Vieram coisas à memória, como é lógico. Mas já não és tu. Percebi-o hoje. Tive a certeza disso. E ainda bem. Gosto de ter certezas. Já não és tu. Mas sim o que eu era e o que eu sentia quando estava contigo. Isso sim, continua a ser o que quero. Contudo, continua a estar tão longe. Quase que diria que parece impossível ser e ter isso outra vez. Mas as coisas são assim. Coisas boas se vão para coisas melhores virem. E tudo isto quando menos esperamos. É o que se diz. 

estória§145

Há ilusão. Há sempre ilusão no início. E um género de promessas. Promessas disto e daquilo. No começo de tudo, há esta duas coisas. Em que se acredita e nos ajudam a seguir o caminho. Aos poucos apercebemo-nos que as coisas não estão bem a ser o que nos disseram que iam ser. Estão a fugir um bocadinho. E acabamos por desempenhar papéis que não deviam ser os nossos. Às vezes até nem desgostamos dos novos papéis. Mas não era bem aquilo. Falta algo. Falta algo do que nós somos mesmo. E tentamos pôr isso em tudo o que fazemos, em tudo o que dizemos. Em tudo. Mas principalmente, independentemente dos papéis que nos calham, tentamos fazer o melhor que conseguimos para que os outros nos reconheçam e nos valorizem.

estória§144


E se eu já tiver passado por ti? E se eu já tiver estado contigo e não reparei que eras tu? Se não reparei que eras a metade do círculo azul? O que acontece? Vamos andar uma data de tempo até nos encontrarmos outra vez? É isso que acontecerá? Ou só existe uma oportunidade e perdendo-a, já não se pode fazer mais nada?
Ou será que simplesmente andamos perdidos, sem nunca nos termos visto? E um dia aparecemos no mesmo sítio e acertamos os nossos passos? Será?