deixa-me-feliz#1


.saber que tenho que trabalhar domingo - o que significa que tenho segunda-feira de manhã livre - o que significa que posso ir ao aeroporto despedir-me da minha badalhoca
.a alegria do H. por eu ter levado a "Bela e o Monstro"
.a L. se esconder debaixo da mesa assim que eu entro na sala, a pensar que eu não a vi
.a L. fazer mais facilmente o seu papel no teatro
.eles estarem todos entusiasmados e interessados em algo que estou a mostrar e explicar
.saber de amigas com quem não falo há algum tempo
.os dias serem maiores - o que significa que está completamente de dia quando chego a casa - o que faz com que pareça que chego mais cedo

estória§146


O corpo paralisou. O coração acelerou. Meio por surpresa. Meio por entusiasmo. Meio por um certo medo. Sem dúvida que eu não estava a contar contigo aqui tão perto. Vi-te tão de repente que apenas deu para paralisar. Ver-te e desviar o olhar, mas querendo continuar a ver-te. Estás igual. Diferente, mas igual. Será que me viste, reparaste que eu estava ali? Ou estava tão concentrado e atento à estrada e a quem estava ao teu lado que não olhaste em frente? Vieram coisas à memória, como é lógico. Mas já não és tu. Percebi-o hoje. Tive a certeza disso. E ainda bem. Gosto de ter certezas. Já não és tu. Mas sim o que eu era e o que eu sentia quando estava contigo. Isso sim, continua a ser o que quero. Contudo, continua a estar tão longe. Quase que diria que parece impossível ser e ter isso outra vez. Mas as coisas são assim. Coisas boas se vão para coisas melhores virem. E tudo isto quando menos esperamos. É o que se diz. 

estória§145

Há ilusão. Há sempre ilusão no início. E um género de promessas. Promessas disto e daquilo. No começo de tudo, há esta duas coisas. Em que se acredita e nos ajudam a seguir o caminho. Aos poucos apercebemo-nos que as coisas não estão bem a ser o que nos disseram que iam ser. Estão a fugir um bocadinho. E acabamos por desempenhar papéis que não deviam ser os nossos. Às vezes até nem desgostamos dos novos papéis. Mas não era bem aquilo. Falta algo. Falta algo do que nós somos mesmo. E tentamos pôr isso em tudo o que fazemos, em tudo o que dizemos. Em tudo. Mas principalmente, independentemente dos papéis que nos calham, tentamos fazer o melhor que conseguimos para que os outros nos reconheçam e nos valorizem.

estória§144


E se eu já tiver passado por ti? E se eu já tiver estado contigo e não reparei que eras tu? Se não reparei que eras a metade do círculo azul? O que acontece? Vamos andar uma data de tempo até nos encontrarmos outra vez? É isso que acontecerá? Ou só existe uma oportunidade e perdendo-a, já não se pode fazer mais nada?
Ou será que simplesmente andamos perdidos, sem nunca nos termos visto? E um dia aparecemos no mesmo sítio e acertamos os nossos passos? Será?

estória§143


Com o tempo a vida vai-se enchendo de novas coisas. Novas pessoas. Novos acontecimentos. Novas preocupações. Novos pensamentos. Novas memórias. Tudo vai entrando, dia após dia. E gosto disso. Gosto de um dia cheio. Cada vez gosto mais. Mantém-me ocupada. Também cansada. Mas sabe tão bem chegar o fim do dia, ver o pôr-do-sol a caminho de casa, chegar e simplesmente adormecer mal caia na cama. Nada me tem sabido melhor ultimamente do que estes dias tão cheios. De tudo.

estória§142


Será que te lembraste (de mim) por um momento, mesmo que breve.. Será? Um leve sorriso traçou-se no meu rosto ao ver isto, porque por um “breve” momento me lembrei (de ti), de como se estava bem naquela altura em que este programa dava.

estória§141


Parecia uma coisa irreal. Ainda estávamos meias adormecidas ao ir para tão esperado reencontro. Foi tão bom ver-vos. Ali bem à minha frente. Passados uns anos sem estarmos juntas fisicamente. Foi tão bom. Realmente há amizades que duram, que resistem ao tempo. Não importa não falarmos sempre. Não importa não estarmos juntas. O que importa é que pensamos umas nas outras, que não nos esquecemos. É isso que faz as coisas se manterem. Reencontrarmo-nos e ser como antes. Bem, exatamente como antes não. Já não somos nenhumas miúdas, e agora só gozamos com isso. É tão bom recordar tudo, todos os momentos que passámos. E ver o que mudou. E ver o que se manteve. Agora? Agora que venham mais tardes destas de uns meses em quantos meses. Porque não importa a quantidade, mas sim a qualidade dos momentos, da amizade. Há coisas que simplesmente se mantêm. Há pessoas com as quais isso funciona e não é preciso fazer muita coisa extraordinária. O que existe com essas pessoas é, por si só, extraordinário. E isso é tão bom.