Há que andar para a frente. Pegar nas nossas bagagens e seguir com as
coisas. Se não dá para ir pelo caminho que queríamos, que gostávamos, há que
ser corajoso o suficiente para ir por outro. Olhar em frente. Cabeça erguida.
Sorriso na cara. Mapa nas mãos e avançar. O que custa é o primeiro passo.
Depois de se estar a caminho, a sensação é reconfortante. Há um todo novo a
descobrir. Não ter medo do que possa vir. Não ter pena do que não aconteceu.
Não podemos ficar presos ao passado, com alguém me disse. Coisas boas se vão,
para coisas melhores virem. É esse o pensamento. É esse o espírito.
estória§133
E estava a olhar para o vazio, embrenhada nos meus pensamentos quando
vi o amor, mesmo ali à minha frente. Amor verdadeiro. Um dos tipos de amor
verdadeiro. Eles iam a passear, de mão dada. Ele com um ar protector e ela com
um sorriso ténue no rosto, mas que se evidenciava no seu olhar. Contudo, eles tinham
uma particularidade: as suas peles traziam os anos consigo, rugas de vida pela
cara e mãos de ambos. Pensei: ainda há amores assim.
estória §132
E tenho a sensação que vais ficar cá dentro
para sempre.
Mas espero que um dia te vás embora daqui. Ou então que apenas
sinta um carinho especial, como quando relembramos bons momentos com pessoas
que nos tocaram e foram, de um certo modo, especial para nós num dado momento
da nossa vida. Sim, é isto que eu quero de ti. É apenas isto que eu posso ter.
É com isto que me quero contentar.
estória §131
Ainda tanta coisa cá dentro. É um aperto tão grande. As coisas passam
como um filme antigo. E revejo as cenas uma e outra vez. Imparável. Mesmo que
doa. É imparável.
Ainda daria tudo para isso. Para [te] sentir de novo.
estória §130
Eu queria ter de novo o que houve. Tenho saudades disso. Queria mais. Mas há um tempo para tudo. E o tempo desses bons momentos já lá vai. Agora é tempo de arrumações. Vou recolher tudo. Limpar o espaço. Às vezes é necessário. E esta é
uma altura em que é mais que necessário. É fundamental. Há que guardar tudo o
que não faz falta. [Apesar de ao mesmo tempo sentir falta.] Nestes casos não se deita fora. Não quero fazer isso. Há
coisas que foram muito importantes para mim. [Foste importante. Sim.] Por isso, há que guardar. Uma vez
que já não “me servem”. Quer dizer, não as posso ter no meu dia-a-dia. Por mais que ainda as queira. [Mesmo ainda te querendo.] Então,
há que guardar. Transformá-las em recordações. Tão só e apenas isso.
Recordações.
[Guardar-te numa das tantas gavetas da tal cómoda.]
estória §129
Perdi a corrida. Fiquei para trás. Nada de nada pode ser tomado como
certo. De repente tudo muda. E dói.
["dóis-me"... ]
estória §128
Por vezes tudo o que queremos é uma oportunidade. Uma segunda
oportunidade. Para fazer diferente. Para ser melhor. Afinal, é para isso que
elas existem. Agora, dentro da oportunidade, as coisas parecem diferentes. Tem
que se recomeçar. Queria recomeçar do meio da corrida. Mas, entretanto
perdeu-se a pedalada, o tempo passou por nós e não se pôde acompanhá-lo.
Voltámos atrás. Tem que se recomeçar quase da partida. Não queria bem assim.
Mas tem que ser. Recomeçar do início. Sem expectativas. Um passo de cada vez. E
nesse passo, dar o melhor. E esperar. Esperar para ver o que se alcança.
(era [quase] o que eu queria, mas tenho medo*)
Subscrever:
Mensagens (Atom)