estória §81


"Each second we live is a new and unique moment of the universe, a moment that will never be again. Do you know what you are? You are marvel. You are unique. In all the years that have passed there has never been another child like you. Your legs, your arms, your clever fingers, the way you move. You may become a Shakespeare, a Michelangelo, a Beethoven. You have the capacity for anything. Yes, you are marvel."
*Pablo Picasso

O ser humano quer ser sempre algo. É esse um dos seus grandes objectivos na vida. Se não o maior objectivo dele. Nosso. Não queremos ser “um qualquer”. Queremos ser nós. Queremos saber quem somos. Queremos que os outros saibam quem somos. E tudo isto logo desde pequeninos. ‘E o que queres ser quando fores grande?’, pergunta(ra)m-nos tantas e tantas vezes. Às vezes não sabíamos o que queríamos. Ou então, queríamos muitas coisas. E enquanto crescíamos fomos mudando quem queríamos ser. Se calhar, olhando agora para trás, não somos isso que queríamos. Mas garantimos a nós mesmos que somo alguém. Somos sempre alguém a partir do momento em que fomos concebidos. Mas não é nesse sentido que o ser humano pensa quando se refere a este assunto de tamanha importância na vida dele. É ser alguém que tenha algo, que tenha conseguido alcançar algo, que tenha vingado. E, principalmente, que isso seja visível aos olhos dos outros que o rodeiam. Isto é ser alguém, segundo o comum dos mortais. É importante para ele pensar que sim, que é alguém reconhecido pelos outros. Muitas vezes esta imagem de algum poder que queremos mostrar aos outros que temos chega a ser mais importante do que na verdade somos mesmo, de admitir isso para nós próprios. O que somos? O que somos mesmo? Lá o fundo? Qual a “essência”? Qual a tua “essência”? Será que somos “grandes”, ou melhor “crescidos”, o suficiente para olhar para nós próprios, para o “nosso umbigo” e admitirmos o que somos na realidade? De ver que afinal somos o que queríamos quando éramos pequeninos. De ver que somos algo parecido ou tão diferente do que queríamos ser. E de reparar que independentemente disso somos nós. Um ser humano igual a tantos outros. Mas com algo especial. Com uma maneira diferente de olhar o mundo. Com desejos e sonhos por concretizar. Com metas a atingir. Com todos os defeitos e feitios. Gostos e desgostos. Que já passou por muitos obstáculos e os venceu. Que já percorreu um grande caminho. Que já conheceu muitas pessoas. Que tudo isto faz a sua bagagem. E que tudo isto o faz ser quem é agora. Isto é a essência do ser humano. E quando ele vir isso, os outros também o vão ver. Sem ele ter que fazer “por mostrar” aos outros quem é, ou quem quer que os outros vejam que ele é.


estória §80


Porque nada é perfeito. Nada nem ninguém. Porque nós próprios não somos perfeitos nem podemos pensar que o somos nem exigir ou pensar que os outros o sejam. Eu não quero que ninguém seja perfeito. Mas posso pedir que sejam mais compreensíveis, que não comecem logo a “disparatar” sem mais nem menos. Será que não dão conta que o fazem?

estória §79


O tempo passa. Os dias tão depressa mostram o sol como logo a seguir o escondem por de trás dos seus braços, e a chuva aparece. Não gosto disso. Do tempo a passar rápido. Da chuva. Não gosto. Gosto dos dias em que está aquele sol que nos aquece a alma. E não se sente o tempo a passar. Parece sempre o mesmo tempo. E uma pessoa fica ali. Sentada no parapeito. De frente para o sol. Com as mãos por baixo das pernas. E fica ali tão quieta. Aninhada em si própria. Parece que tudo pára. Tu e o sol. Olha-o mas fecha os olhos. Basta apenas senti-lo para saber que ele está lá. E sabe tão bem aquele calor. Mas não calor demais. Apenas o suficiente para isso, para nos aquecer a alma. Como se alguém nos abraçasse. É destes dias que eu gosto. É tão bom sentirmo-nos abraçados. Envoltos por algo que apenas se sente.

estória §78


Dois tolos. Esperando que algo acontecesse mas sem fazer nada para que isso acontecesse. Quase como que quando se quer sumo de laranja natural mas não se tem laranjas. É impossível. E quem pensar o contrário é mesmo tolo. Sem laranjas não há sumo. Sem um bocadinho de coragem não há nada.

estória §77


Queres sempre tudo. Queres sempre tudo do teu jeito. És assim e não admites isso. Acontece uma coisa e começas logo a pensar nisto e naquilo. No que poderia acontecer, como poderia acontecer. Pensas, ‘mas toda a gente não quer o melhor para si?!’. Sim, elas querem. Mas tu imaginas muito, fantasias muito para além do que é real, realmente real. Pará. Por favor. É para o teu bem. Mas não queres acreditar nisso. Dizes que não consegues parar de pensar, de querer as coisas todas. E depois com o tempo vês que as coisas não acontecem, vês que nada corre como pensaste, como querias. E isso deixa-te triste. Contentas-te com pouco, é certo. E não é mau. Ficas feliz por algo simples. Mas depois pensas e pensas. Não podes pensar logo em tudo. E depois vais-te abaixo com facilidade. Apesar de tentares não mostrares e disseres que vais esperar e deixar as coisas andarem. Mas isso não é verdade. Tu ficas triste. Ficas triste logo quando alguma coisa, por mínima que seja, não corre do teu agrado. E começas logo a pensar, tal como fazes quando estás feliz. E pensas logo no pior, tal como pensas no melhor que poderia acontecer quando estás feliz. És de opostos. Sabes disso? Já te deste conta? Não, eu sei. Se calhar, estás a aperceber-te disso neste exacto momento. E pensas, ‘no fundo eu já sabia, no fundo eu sabia tudo isto que está aqui’. Pois sabes, eu sei que sim, mas simplesmente não tens coragem para o dizer em voz alta. Tu que até falas alto. Mas apenas consegues “dizer” estas coisas todas no teu pensamento, onde os outros não conseguem ver ou ouvir.

Tens que ser crescida o suficiente e teres coragem, rapariga. Para admitires que és de opostos. Que ficas feliz e triste facilmente. Que tens os sentimentos à flor da pele. Que pensas demasiado também. Fantasias e imaginas muito. Voas demasiado alto e depois a queda é grande, nunca ouviste? Já, eu sei. Queres também tudo e mais tudo. Depois de te contentares com pouco queres sempre mais e mais. E quando não consegues isso, voltas a pensar demasiado. És assim. E já não é defeito, é feito. E isto não te faz bem. Tens que aproveitar tudo no momento e viveres isso. Tu dizes que agora fazes isso, mas continuas a pensar muito no depois. Prendeste muito a isso. Não podes. Deixa-te levar. Deixa as coisas irem. Sem preocupação. Sem imaginar muito. Sem queres demasiado. Para não ficares tão triste facilmente. Vais ver como é melhor. Como depois andas mais contente, mais feliz. Afinal, é isso que se quer da vida: ser feliz.

Tudo isto dito por uma voz. Uma voz dentro de mim.

estória §76


“(…)és a minha maninha que mora na minha rua hehehehehe”

Sim, sou a tua maninha, és a minha maninha. Posso não ter maninhas de “verdade”, mas tu és mais que verdade, existes! És do coração. E quem é do coração, do nosso coração, é mesmo de verdade!

Podes contar sempre comigo,
Beijo grande,
da tua maninha do coração que mora na mesma rua que tu.. Ah, espera, que vai morar sempre na mesma rua que tu, estejamos aonde estivermos *

Parabéns bebé ^^

estória §75


Dar o salto. Ter a coragem suficiente para saltares de um precipício sem saberes o que está lá em baixo. Sem teres a certeza de nada. Porque não tens. Estás presa por uma corda. Mas não sabes mais nada. Podes ficar para sempre cá em cima. Agarras a corda com as duas mãos, bem firmes mas suadas, e não param quietas para não se notar que estás a tremer, cheia de medo. O coração acelerado sem o conseguires controlar. Arrastas um dos pés mais um pouco para a frente. Nem forças tens para o levantares e dares o passo que te leva em frente, para o desconhecido. Pensas para ti. E ficas ainda com mais medo. Sentes a corda de volta da tua cintura. Ela vai-te suportar na queda. Disseram-te. Será mesmo? Pensas para ti. Arrastas agora o outro pé. Inclinas o tronco e a cabeça um bocado para a frente. Espreitas para baixo. Tal e qual uma criança assustada quando espreita para baixo da sua cama antes de dormir, para verificar que o monstro não está lá. Tu também queres que não estejam monstros lá em baixo. Desejas ter coragem para dar o salto. E que a queda corra bem. E que, quando, finalmente, lá em baixo, estejas bem, estejas inteira, que ele esteja inteiro. Mas depois assustas-te, cais em ti mesma e pensas o quão louco isto parece. Não consigo. Pensas para ti. E quando mais pensas no medo que tens de não saberes o que vem a seguir, pior ficas. Olhas em teu redor. Uns já saltaram, outros estão a saltar. Como conseguem? Pensas para ti. Tanto medo que sentes do que vem a seguir. De não saberes exactamente o que vem a seguir. Queres que corra tudo bem. Repetes para ti. Mas sabes que nem sempre as coisas correm bem. Pode doer. Tu não queres magoar-te. E tens medo que isso aconteça. Medo de ganhares coragem para dar o salto e que depois a queda seja horrível e chegas lá abaixo “desinteira”, que algo de ti se parta. Tens medo disso. É esse medo que te prende para trás. Que te puxa para ficares em terra. Que te retira as forças para dares o primeiro passo. De dares o salto para o desconhecido, sem nenhuma certeza, sem nada tomado como garantido. Mas tu tens que decidir. Tens de escolher. Ficares agarrada a esse medo. Ou encarares isso e dares o salto. E veres o que acontece. Pode ser uma queda agradável, que as coisas corram bem na viagem e chegas ao fim desta inteira e feliz, com uma sensação tão agradável que te enche o peito e sentes-te tão bem que nem consegues explicar, apenas sorrires por teres tido a coragem.
Precisas que as tuas mãos trémulas agarrem a pontinha de coragem que por vezes parece espreitar. Mesmo que tenhas as mãos suadas e o coração a bater de mais. Tens de deixar o medo para trás. Dar o salto. Porque pode ser um desastre total. Sim. Mas pode ser incrível.