O corpo paralisou. O coração acelerou. Meio por surpresa. Meio por
entusiasmo. Meio por um certo medo. Sem dúvida que eu não estava a contar
contigo aqui tão perto. Vi-te tão de repente que apenas deu para paralisar.
Ver-te e desviar o olhar, mas querendo continuar a ver-te. Estás igual. Diferente,
mas igual. Será que me viste, reparaste que eu estava ali? Ou estava tão
concentrado e atento à estrada e a quem estava ao teu lado que não olhaste em
frente? Vieram coisas à memória, como é lógico. Mas já não és tu. Percebi-o
hoje. Tive a certeza disso. E ainda bem. Gosto de ter certezas. Já não és tu.
Mas sim o que eu era e o que eu sentia quando estava contigo. Isso sim,
continua a ser o que quero. Contudo, continua a estar tão longe. Quase que
diria que parece impossível ser e ter isso outra vez. Mas as coisas são assim. Coisas
boas se vão para coisas melhores virem. E tudo isto quando menos esperamos. É o
que se diz.